Zambézia – Cinquenta professores contratados entre 2023 e 2024 e colocados em diversas escolas públicas do distrito de Namacurra estão há mais de quatro meses sem receber salários. A situação foi formalmente denunciada através de uma carta endereçada à Direção Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, com cópia enviada à Direção Provincial da Educação da Zambézia.
De acordo com os educadores, todos estão devidamente enquadrados no sistema público de ensino, com presença regular nas folhas de ponto, entrega de relatórios e cumprimento das suas obrigações profissionais. No entanto, até à presente data, nenhum dos salários dos primeiros quatro meses de serviço foi pago, sem que lhes tenha sido dada qualquer explicação plausível ou solução concreta.
Os docentes relatam terem recebido apenas promessas e justificações contraditórias por parte das autoridades locais, além de documentos que consideram simulados e tentativas de silenciar as reclamações. A maioria vive atualmente dependente de dívidas, empréstimos informais e apoio de familiares e amigos, enquanto continua a trabalhar normalmente.
“Temos estado a ensinar sem receber. Cumprimos tudo o que nos é exigido, mas o Estado falha connosco”, declarou um dos professores, sob anonimato.
Na carta dirigida às autoridades, os educadores exigem o pagamento imediato dos salários em atraso e pedem que seja apresentado um plano oficial e transparente com datas claras para a regularização da dívida. Reforçam ainda a necessidade de intervenção urgente do Ministério da Educação, apontando para o que classificam como “gestão desastrosa e falta de respeito” por parte da Direção Distrital de Namacurra.
Caso não obtenham resposta no prazo de 15 dias úteis, os professores prometem tornar o caso público nas redes sociais e imprensa, recorrer a organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores do setor público e apresentar queixa formal ao Tribunal Administrativo da Zambézia. Também exigem uma auditoria independente à gestão de recursos humanos e salariais no setor da Educação no distrito.
“Não somos voluntários. Somos trabalhadores contratados pelo Estado. Exigimos respeito, dignidade e os nossos salários”, destaca o grupo, manifestando profundo descontentamento.
Para os professores, esta situação simboliza mais um episódio de negligência no sistema educativo moçambicano, onde os próprios educadores, peças-chave na construção do futuro do país, continuam a ser ignorados. Analistas da área consideram o caso de Namacurra um reflexo do descaso institucional com a valorização da classe docente, colocando em dúvida o real compromisso do Governo com a educação pública.
