MAPUTO – O setor da saúde em Moçambique prepara-se para enfrentar um novo período de instabilidade. A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) confirmou a convocação de uma greve geral com duração inicial de 30 dias, a ter início nesta sexta-feira, 16 de janeiro. O principal gatilho da mobilização é o descontentamento com o pagamento parcial do 13.º salário proposto pelo Executivo.
A Disputa pelo 13.º Salário
A decisão da classe surge após o Governo anunciar que pagaria apenas 40% do salário-base a título de subsídio de Natal, alegando limitações orçamentais e um contexto macroeconómico desafiador. Anselmo Muchave, presidente da APSUSM, classificou a medida como uma “desvalorização” dos funcionários públicos.
“Não aceitamos os 40% prometidos. O salário é um direito legal e exigimos o pagamento integral (100%)”, afirmou Muchave, sublinhando que a greve poderá ser prorrogada caso não haja uma nova proposta do Governo.
Crise Estrutural e Condições de Trabalho
Para além da vertente salarial, a paralisação — que abrange cerca de 65 mil profissionais — funciona como um protesto contra o estado atual do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Entre as principais queixas da associação, destacam-se:
- Escassez de insumos: Falta recorrente de medicamentos básicos e materiais de proteção individual (EPIs).
- Logística Precária: Ambulâncias sem equipamentos de emergência e falta de alimentação para pacientes internados.
- Dignidade Profissional: Profissionais relatam jornadas exaustivas e a necessidade de adquirir materiais de trabalho com o próprio bolso.
O Posicionamento do Governo
O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, reiterou que o pagamento faseado dos 40% faz parte de um esforço de equilíbrio das contas públicas. Anteriormente, o Ministério da Saúde já havia classificado uma eventual paralisação no setor como “um desastre”, apelando ao diálogo para evitar o colapso do atendimento nas mais de 1.700 unidades sanitárias do país.
A greve da APSUSM segue um histórico de tensões entre o Estado e os profissionais de saúde, somando-se a paralisações anteriores lideradas também pela Associação Médica de Moçambique (AMM).
