Cinco agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e um membro do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) estão a ser formalmente acusados de envolvimento no roubo de 56 quilos de ouro e cerca de 900 gramas de pedras preciosas do tipo Paraíba, pertencentes a um cidadão estrangeiro. O caso ocorreu no distrito de Mogovolas, província de Nampula, e está a abalar a confiança pública nas instituições de segurança do país.
As revelações foram feitas pelo porta-voz do Tribunal Judicial Provincial de Nampula, Victor Vilanculo, durante uma conferência de imprensa realizada na última sexta-feira, 11 de julho. Segundo as autoridades, o crime aconteceu no dia 5 deste mês e os suspeitos foram detidos quatro dias depois, a 9 de julho.
Crime Organizado com Envolvimento de Fardas
De acordo com a investigação preliminar, um grupo de oito indivíduos, entre eles quatro agentes da PRM e um do SERNIC, munidos de armas de fogo — incluindo três AK-47 e uma pistola — executaram o assalto, identificando-se como membros das forças de segurança. Com uso da farda e de documentos oficiais, abordaram a vítima, confiscaram os minerais e fugiram do local.
Vilanculo detalhou que os implicados responderão por crimes relacionados ao roubo agravado e abuso de função pública, embora tenham sido colocados em liberdade condicional enquanto decorrem os trâmites legais.
Suspeitas Envolvem Altas Patentes
Apesar de o nome do comandante distrital de Mogovolas ter sido mencionado em denúncias informais, o tribunal mantém cautela sobre a sua eventual ligação ao esquema. “Não confirmo nem desminto a possível implicação do comandante, pois o processo ainda está em curso e não há dados oficiais que comprovem esse envolvimento”, afirmou o porta-voz, invocando os princípios da presunção de inocência e do segredo de justiça.
Contradições e Silêncio Institucional
Em nota enviada via WhatsApp, a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Nilza Chaúque, negou que membros da polícia tenham sido detidos no distrito de Mogovolas, classificando a informação como infundada. Contudo, prometeu prestar mais esclarecimentos em conferência de imprensa marcada para o dia seguinte.
A postura da polícia, marcada por contradições e falta de transparência, tem gerado inquietação entre os residentes da província, que observam com desconfiança o desenrolar do processo.
Mogovolas: Solo Rico, Realidade Frágil
A região de Mogovolas tem sido palco de constantes episódios ligados à exploração ilegal de recursos minerais, como ouro e gemas preciosas. Além dos garimpeiros informais e de interesses empresariais, há denúncias frequentes sobre a atuação de redes organizadas que contam com a colaboração de autoridades locais, tornando a fronteira entre legalidade e criminalidade cada vez mais tênue.
Com o envolvimento de agentes públicos no caso mais recente, a população vê aumentar a descrença nas instituições estatais — especialmente naquelas responsáveis por garantir a ordem e combater o crime.
