Protestos em Luanda contra aumento do combustível e tarifas de transporte tomam as ruas

Luanda, 11 de julho de 2025 – Centenas de jovens e ativistas saíram às ruas da capital angolana nesta sexta-feira para protestar contra o recente aumento do preço dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos. A manifestação, pacífica, começou no Largo do Mercado de São Paulo e tinha como destino o Largo da Maianga, próximo à Assembleia Nacional.

O protesto foi convocado por membros da sociedade civil, com destaque para a Sociedade Civil Contestatária e o grupo UNTRA – Unidade Nacional para Total Revolução de Angola, que desde o início da semana já vinham alertando para a insatisfação popular. Os manifestantes exibiam cartazes, gritavam palavras de ordem como “Quem cala consente” e exigiam medidas urgentes por parte do governo.

O principal motivo da revolta foi o aumento do preço do diesel, que passou de 300 para 400 kwanzas por litro desde o dia 4 de julho. Como consequência, os táxis coletivos (“candongueiros”) passaram a cobrar 300 kwanzas por viagem, e os ônibus públicos urbanos subiram para 200 kwanzas. Essas mudanças afetam diretamente a população de baixa renda, que já enfrenta dificuldades para custear o transporte diário.

Na véspera da marcha, os organizadores denunciaram que foram alvo de tentativas de intimidação por parte da Polícia Nacional, que teria ordenado a retirada de cartazes e materiais de divulgação do protesto no bairro Vila Alice. Apesar disso, a mobilização seguiu conforme o previsto.

As autoridades alertaram que não aceitariam mudanças de rota e ameaçaram intervir com detenções caso os manifestantes se desviassem do trajeto autorizado. O clima era tenso, especialmente após episódios anteriores em que marchas semelhantes foram reprimidas com gás lacrimogéneo, detenções arbitrárias e agressões.

Organizações como Upangue, OMUNGA, Friends of Angola e FORDU também se posicionaram, publicando uma nota conjunta em que criticam os cortes nos subsídios ao combustível sem a implementação de medidas sociais compensatórias. Segundo essas entidades, as decisões do governo afetam principalmente os mais pobres, aumentando ainda mais o custo de vida num contexto já difícil para grande parte da população.

Apesar da presença policial, a marcha desta sexta-feira decorreu de forma pacífica até o momento em que foi dispersada com gás lacrimogéneo pela Unidade de Intervenção. Os manifestantes prometeram continuar com a mobilização e expandir os protestos para outras províncias do país.

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