Morreu Noelia Castillo, jovem espanhola que lutou em tribunal pelo direito à eutanásia

A jovem espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu esta quinta‑feira após recorrer à eutanásia, procedimento que foi autorizado depois de uma longa disputa judicial com o próprio pai em Espanha.

A morte medicamente assistida foi solicitada pela jovem depois de ter ficado paraplégica na sequência de uma tentativa de suicídio ocorrida em 2022. Desde então, vivia com fortes limitações físicas, dependência permanente de terceiros e dores crónicas, situação que, segundo avaliações médicas, era irreversível e provocava sofrimento constante.

O pedido de eutanásia chegou a ser aprovado em julho de 2024 pelas autoridades de saúde da região da Catalunha, que consideraram que a jovem reunia as condições previstas na lei para a morte medicamente assistida. No entanto, o processo acabou por se prolongar por quase dois anos devido à oposição do pai, que recorreu à Justiça para tentar impedir a decisão.

A batalha judicial passou por várias instâncias, incluindo tribunais superiores e instâncias europeias. Após cerca de 600 dias de disputa legal, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitou o último recurso apresentado pela família, confirmando a legalidade da decisão e reconhecendo que a jovem tinha capacidade para decidir sobre a própria vida.

Em entrevistas concedidas a meios de comunicação espanhóis, Noelia Castillo afirmou várias vezes que queria apenas deixar de sofrer e descansar, dizendo que desejava morrer em paz. A jovem também declarou que preferia enfrentar o momento sozinha, sem a presença de familiares.

Antes de ficar paraplégica, Noelia afirmou ter sido vítima de abusos e agressões sexuais, situações que contribuíram para o seu estado psicológico e para a tentativa de suicídio que mudou a sua vida.

A eutanásia é legal em Espanha desde 2021, mas o caso de Noelia Castillo tornou‑se um dos mais mediáticos do país, por ter sido o primeiro a envolver uma longa disputa judicial entre a vontade do paciente e a oposição de familiares, gerando um intenso debate sobre o direito à morte assistida.

Outras Notícias do Autor

João Matlombe anuncia entrega de 300 autocarros para municípios até 2027

Senegal: Homem detido após tentar cozinhar carne de cão

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *