Professores que reivindicaram horas extras ficam sem turmas em Manica

O arranque do ano letivo de 2026 nas Escolas Secundárias de Chinhamapere e Jécua, no distrito de Manica, está a ser marcado por um ambiente de tensão entre docentes e direções escolares. Vários professores que exigiram o pagamento de horas extraordinárias relatam que continuam sem turmas atribuídas, apesar de se apresentarem diariamente nas instituições.

A situação levanta suspeitas entre os profissionais, sobretudo entre aqueles que participaram na paralisação de aulas no ano passado em protesto contra a falta de pagamento. Três semanas após o início das atividades escolares, esses docentes dizem que permanecem sem horários definidos, limitando-se a assinar o livro de ponto e aguardar o fim do expediente, sem desempenhar funções em sala de aula.

O desconforto aumentou quando algumas escolas começaram a emitir guias de devolução de professores ao Serviço Distrital de Educação. Ao mesmo tempo, foram solicitados docentes de outras instituições, incluindo do ensino primário, para suprir necessidades de pessoal, o que gerou ainda mais questionamentos.

De acordo com uma exposição encaminhada às autoridades e citada pela imprensa, os professores afetados afirmam que existem quadros qualificados disponíveis, mas que foram excluídos tanto da distribuição de turmas como do processo de exames. A falta de critérios claros e de comunicação interna eficaz é apontada como uma das principais falhas na gestão escolar.

As críticas também atingem a área financeira. Os docentes denunciam ausência de transparência na gestão de receitas provenientes de matrículas, emissão de cartões e fundos de apoio direto às escolas. Segundo afirmam, há cerca de três anos que a comunidade escolar não recebe informações claras sobre a utilização desses recursos, enquanto as condições das infraestruturas continuam a deteriorar-se.

Salas de aula degradadas, sem janelas, quadros danificados e tetos com infiltrações fazem parte do cenário atual. A desativação do único campo de futebol disponível também tem impactado negativamente as atividades desportivas e o convívio entre os alunos.

Em resposta às acusações, a Direção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano de Manica, através do seu porta-voz Raimundo Wache, rejeitou a existência de perseguição aos docentes. Segundo explicou, não se trata de falta de carga horária, mas sim de um processo de reorganização de pessoal para reforçar uma nova escola secundária recentemente inaugurada na vila-sede.

As autoridades garantem que os professores estão a ser chamados para levantar as respetivas guias de marcha e integrar a nova unidade de ensino, assegurando que o processo está a decorrer dentro dos parâmetros legais e de acordo com as necessidades do sistema educativo na província.

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