Moçambique surge como um dos destinos de um dos navios petroleiros que atravessaram o Estreito de Ormuz no último sábado (18), uma das principais rotas marítimas do mundo por onde circula uma parte significativa do petróleo global. Este movimento ocorre num momento em que o país enfrenta pressão no mercado de combustíveis.
De acordo com dados da empresa de análise de transporte marítimo Kpler, mais de 20 embarcações cruzaram aquela via, representando o maior volume registado desde 1 de março.
A chegada de combustíveis acontece numa fase delicada para o mercado interno, marcada por dificuldades no abastecimento. Recentemente, o Governo recomendou a racionalização do consumo — ou seja, um uso mais controlado e eficiente dos combustíveis — e admitiu a possibilidade de um aumento de preços já a partir de maio. Este cenário tem-se refletido em filas mais longas nos postos de abastecimento e numa maior pressão sobre a rede de distribuição.
Num comunicado, o Executivo procurou transmitir uma mensagem dupla: por um lado, garantiu que o país continua a dispor de combustíveis; por outro, reconheceu que o próximo ajuste de preços deverá refletir o aumento dos custos de importação, associados à subida dos preços internacionais do petróleo.
Entre os navios que atravessaram o Estreito de Ormuz, cinco transportavam carga proveniente do Irão, incluindo produtos petrolíferos — derivados do refino do crude — e metais. Três dessas embarcações são navios de gás de petróleo liquefeito (GPL), utilizado, por exemplo, para cozinhar, com destino a países como China e Índia.
Dois petroleiros, o Akti A e o Athina, transportam produtos refinados, ou seja, combustíveis já processados e prontos para uso. Ambos partiram do Bahrein, tendo como destinos Moçambique e Tailândia, respetivamente. Já o navio Crave, de bandeira panamenha, transporta GPL a partir dos Emirados Árabes Unidos com destino à Indonésia.
Outras embarcações incluem o Navig8 Macallister, que transporta cerca de 500 mil barris de nafta — um derivado utilizado na indústria petroquímica — com destino a Ulsan. O Fpmc C Lord leva aproximadamente dois milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita para o porto de Mailiao, enquanto o Desh Garima segue para o Sri Lanka com cerca de 780 mil barris provenientes dos Emirados Árabes Unidos.
A lista inclui ainda o navio Ruby, carregado com fertilizantes do Catar com destino aos Emirados Árabes Unidos, e o graneleiro Merry M, que transporta coque de petróleo — um subproduto sólido da refinação usado como combustível industrial — da Arábia Saudita para Ravenna.
Este intenso movimento de navios evidencia a relevância estratégica do Estreito de Ormuz e a elevada atividade no transporte global de energia.
