A detenção do empresário Umberto Sartori está envolta em polémica e pode tratar-se de um complexo “acerto de contas”. A suspeita foi levantada pelo jornalista e comentador Salomão Moyana, que aproveitou o seu espaço de análise na MBC TV para expor denúncias consideradas extremamente graves sobre as relações entre as forças de segurança e o sector privado.
Refeições à Custa do Empresário
Durante a emissão, Moyana revelou a existência de uma prática que descreve como estando “institucionalizada” entre as autoridades. Segundo o comentador, agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) têm o hábito de consumir refeições regularmente no restaurante Kaya-Kwanga, propriedade de Sartori, sem nunca efectuarem o respectivo pagamento.
A Dívida Milionária do Ministério do Interior
O ponto mais crítico da denúncia prende-se com o volume do passivo financeiro gerado por estes consumos. O jornalista apontou que o Ministério do Interior (MINT) acumulou uma dívida astronómica que ronda os 60 milhões de meticais. Este valor exorbitante resulta de anos a fio de refeições e serviços prestados pelo estabelecimento que nunca foram liquidados pelo Estado.
Prisão: Justiça ou Retaliação?
Perante estes dados, a análise de Salomão Moyana lança um olhar de desconfiança sobre as verdadeiras motivações por detrás da prisão de Umberto Sartori. O cenário descrito levanta sérias dúvidas sobre a transparência na relação entre as instituições estatais e os agentes económicos privados.
Moyana sugere abertamente que a detenção do empresário pode não passar de uma manobra de retaliação ou pressão. Em alternativa, admite a possibilidade de a acção policial ser uma tentativa de “regularizar” ou abafar de forma informal e coerciva este avultado buraco financeiro deixado pelas forças de segurança no Kaya-Kwanga.Fonte: MBC TV | Programa: A Semana com Salomão Moyana (Opinião do Dia / Edição das 9h30)
