Maputo — Um novo episódio de violência armada abalou o distrito de Mueda, na província de Cabo Delgado. Na manhã da passada quinta-feira, uma viatura de transporte colectivo de passageiros foi alvo de uma emboscada perpetrada por supostos insurgentes na aldeia Roma. O ataque resultou em ferimentos graves no condutor e danos consideráveis ao veículo.
O Ataque e o Disfarce Militar
O incidente ocorreu num troço onde a estrada se encontra bastante degradada, na via que assegura a ligação transfronteiriça entre Moçambique e a Tanzânia. Segundo relatos recolhidos pela redação da “Carta”, a abordagem dos atacantes envolveu uma tentativa de farsa:
Um indivíduo encapuzado e armado, envergando um uniforme das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), surgiu na via e sinalizou para que a viatura parasse. O motorista, desconfiando da situação, decidiu ignorar o sinal de paragem e continuou a marcha. Perante a recusa, os atacantes abriram fogo contra a viatura.
Fuga Sob Fogo e Escolta Internacional
Mesmo após ser atingido por disparos nos braços, o condutor demonstrou uma resistência notável, não cessando a viagem para evitar que o grupo fosse capturado. Os passageiros relataram momentos de pânico absoluto durante o percurso até à comunidade de Ninga.
Ao cruzarem a fronteira, os ocupantes foram socorridos e escoltados por uma unidade da Polícia da Tanzânia até à região de Massassi. O motorista recebeu os primeiros socorros em território tanzaniano e encontra-se, neste momento, internado no Hospital de Ndanda, onde recebe cuidados médicos especializados.
Falta de Segurança numa Rota Estratégica
O ataque levanta novamente questões sobre a segurança nas principais vias de Cabo Delgado. A Estrada R1251, que liga a cidade de Pemba à região de Mtwara (no sul da Tanzânia), é uma artéria vital e com elevado fluxo de tráfego.
Apesar da sua importância comercial e social, o percurso não dispõe de posições fixas das Forças de Defesa e Segurança (FDS), uma lacuna que tem sido aproveitada pelos grupos insurgentes para realizar incursões e fustigar quem utiliza aquela via.
(Fonte: Carta de Moçambique)
