Fundo Soberano de Moçambique fecha primeiro trimestre de 2026 acima dos 116 milhões de dólares

O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou um arranque operacional robusto, fechando o primeiro trimestre de 2026 com activos totais avaliados em 116,4 milhões de dólares. Este instrumento financeiro estratégico foi concebido pelo Estado moçambicano com o propósito de gerir de forma eficiente as receitas geradas pela exploração de gás natural no país.

​Os dados financeiros foram tornados públicos através do primeiro Relatório Trimestral do Fundo Soberano de Moçambique, elaborado e publicado pelo Banco de Moçambique, entidade que actua como gestor operacional da instituição.

​Até ao dia 31 de Março de 2026, os mapas contabilísticos do FSM indicavam que, além dos activos de 116,4 milhões de dólares, os capitais próprios fixaram-se no mesmo valor, ao passo que os passivos registados foram residuais, rondando os 34 mil dólares. No que diz respeito à rentabilidade, o Fundo alcançou um resultado líquido positivo superior a 1,04 milhão de dólares nos primeiros três meses do ano.

Gestão transitória pauta-se pelo conservadorismo e prudência

​O documento emitido pelo banco central esclarece que o FSM opera ainda num regime transitório, enquanto aguarda pela aprovação formal dos instrumentos estruturantes que irão balizar a estratégia definitiva de investimento a longo prazo.

​Deste modo, com vista a salvaguardar a estabilidade financeira, mitigar riscos e priorizar a preservação do capital e a liquidez imediata, os recursos financeiros estão presentemente aplicados em depósitos de curto prazo (overnight) junto de instituições bancárias internacionais, auferindo uma rentabilidade moderada.

​O Banco de Moçambique sublinhou que esta postura cautelosa visa assegurar a solidez do projecto enquanto se finalizam os mecanismos operacionais e institucionais para o pleno funcionamento do FSM. Informações mais minuciosas sobre os riscos, a carteira de activos e os indicadores globais de desempenho serão partilhadas em relatórios futuros, assim que as carteiras estratégicas definitivas entrarem em vigor.

Exploração de Gás Natural na Bacia do Rovuma capitaliza o Fundo

​Instituído ao abrigo da Lei n.º 1/2024, o Fundo Soberano nasceu com a missão de garantir a estabilidade macroeconómica do país, alavancar o desenvolvimento sustentável e criar poupanças financeiras para as gerações vindouras.

​A sua principal fonte de financiamento provém dos excedentes da exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) oriundos das Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, estando também aberto a futuros projectos de petróleo e gás. O capital inicial que viabilizou os valores actuais foi constituído por transferências destas receitas extractivas, englobando depósitos canalizados em Dezembro de 2025 e reforços adicionais executados em Janeiro de 2026.

​Graças à injecção constante destas novas receitas do sector energético e à capitalização dos juros gerados pelas aplicações financeiras, o total de activos do FSM registou uma expansão de 6,6% apenas no decurso do primeiro trimestre.

Recursos alocados em praças financeiras internacionais

​Actualmente, as disponibilidades financeiras do Fundo Soberano encontram-se distribuídas de forma concentrada por três prestigiadas instituições bancárias internacionais:

  • ​BRED Banque Populaire;
  • ​The Toronto-Dominion Bank;
  • ​Sumitomo Mitsui Trust Bank.

​Estes depósitos bancários contam com taxas de remuneração anualizadas que se situam, na sua maioria, num intervalo entre 3,6% e 3,72%, conforme detalhado nos anexos contabilísticos do relatório.

​Esta abordagem fortemente conservadora e de baixo risco é perfeitamente normal em fundos soberanos que se encontram em fase de estruturação. Analistas de mercado antecipam que, numa etapa posterior, o FSM comece a diversificar as suas aplicações para produtos financeiros de maior rendimento e horizontes temporais mais alargados, tais como acções globais, obrigações soberanas, projectos de infra-estruturas e outros activos com perfil estratégico.

Um marco crucial contra a volatilidade económica

​A efectiva entrada em funcionamento do Fundo Soberano surge num período crucial para Moçambique, inserindo-se nos esforços nacionais para blindar a economia contra as habituais volatilidades fiscais associadas à dependência extrema da exportação de matérias-primas e mitigar o fenómeno conhecido como a “maldição dos recursos”.

​O figurino legal que rege o FSM estabelece com clareza três pilares de actuação fundamentais:

  1. ​Impulsionar o progresso económico e social do país;
  2. ​Constituir poupanças e reservas financeiras para as gerações futuras;
  3. ​Actuar como um mecanismo de estabilização do Orçamento do Estado perante as oscilações de preços no mercado petrolífero internacional.

​À medida que os mega-projectos de gás na província de Cabo Delgado assumem uma importância cada vez maior para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o rigor, a governação e a transparência na gestão do FSM serão temas sob constante escrutínio político e social. No encerramento do relatório, o Banco de Moçambique reiterou de forma categórica o seu compromisso com uma gestão pautada pela máxima responsabilidade, prudência e total transparência.

Fonte: O Econômico

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