27 membros da milícia Naparama mortos em confronto direto com terroristas

Vinte e sete elementos da milícia tradicional Naparama perderam a vida este domingo, no distrito de Chiúre (zona sul de Cabo Delgado), na sequência de um intenso combate contra grupos terroristas apoiados pelo Estado Islâmico.

O Rasto de Destruição e o Confronto nas Matas

​De acordo com fontes locais, o embate fatal desenrolou-se nas matas do Posto Administrativo de Katapua. A perseguição aos terroristas teve início de madrugada, por volta das 04h00, logo após os insurgentes terem incendiado a aldeia de Messanja. A tentativa dos milicianos de travar o avanço inimigo prolongou-se durante 12 horas, terminando apenas pelas 16h00, altura em que o grupo armado conseguiu atravessar o rio Megaruma em direção ao distrito de Ancuabe.

​Os Naparama — uma força de autodefesa de base étnica constituída essencialmente por jovens da etnia Macua — mobilizaram-se em massa para proteger as suas comunidades, colmatando a incapacidade de resposta efetiva por parte das forças governamentais. No entanto, o embate revelou-se trágico devido à enorme disparidade de armamento: enquanto a milícia recorria a instrumentos rudimentares como arcos, flechas e catanas, os insurgentes utilizavam armas de fogo sofisticadas.

Balanço de Vítimas e Reivindicação do Estado Islâmico

​Na manhã desta segunda-feira, a agência de propaganda Amaq, ligada ao Estado Islâmico, emitiu um comunicado onde reivindicava a morte de 26 membros dos Naparama. Contudo, durante a tarde, fontes da própria milícia confirmaram a descoberta de 27 corpos no teatro de operações. As vítimas foram sepultadas numa vala comum aberta ali mesmo, em plena mata.

​Do lado dos terroristas, o número real de baixas continua a ser uma incógnita. Durante as operações de busca no local do confronto, foram encontrados apenas três corpos pertencentes ao grupo armado.

Crenças, Posição das FDS e o Pano de Fundo Étnico

​Os combatentes Naparama baseiam a sua coragem na forte crença de que a medicina tradicional os torna imunes às balas inimigas. No seio do grupo, o elevado número de vítimas mortais e feridos nestes combates é, habitualmente, justificado com o incumprimento das regras das “mezinhas” ou com traições internas.

​Apesar do massacre ter ocorrido a pouca distância, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique não chegaram a envolver-se nos combates nas matas, uma vez que o seu contingente estava focado em proteger a vila-sede de Chiúre de possíveis invasões.

​Este episódio assinala o maior número de baixas sofridas pelos Naparama de uma só vez, superando as 18 mortes registadas num confronto ocorrido em julho do ano passado, na aldeia de Melija (também em Chiúre). O cenário agrava a dimensão étnica e sociológica da guerra em Cabo Delgado, vincando a tensão entre os insurgentes (maioritariamente da etnia costeira Mwani) e as populações do interior (predominantemente Macua e Maconde).

(Com informações do MOZTIMES / Celestino Carlos).

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