A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) manifestou profunda consternação e indignação face ao assassinato de Dom Osório Afonso, Bispo de Quelimane, ocorrido no passado dia 6 de junho. Em comunicado oficial, a instituição classificou a data como um dia “particularmente sombrio” para a Igreja Católica, para os crentes e para todos os defensores da dignidade humana.
Com base no documento emitido pela organização — que celebra os seus 30 anos de existência sob o lema “Por uma Advocacia Ética, de Qualidade e Moderna, ao Serviço da Sociedade” —, a OAM alerta para o impacto profundo deste crime em todo o país e apela a uma resposta firme das autoridades.
Um Golpe na Consciência Moral da Sociedade
De acordo com a mensagem da OAM, o silenciamento violento de uma voz dedicada à fé, à esperança e ao compromisso com os mais vulneráveis não atinge exclusivamente a esfera religiosa. A Ordem sublinha que este ato representa um duro golpe na própria “consciência moral da sociedade”.
A instituição defende que a convivência pacífica e o diálogo ficam ameaçados quando figuras comprometidas com a verdade e com a justiça social são transformadas em alvos. A OAM adverte que o silêncio, a indiferença ou a banalização deste tipo de eventos apenas contribuem para enfraquecer os valores fundamentais que sustentam o Estado de Direito e a coesão nacional.
Alerta para a Deterioração da Segurança Pública
O homicídio de Dom Osório Afonso serviu também para a OAM traçar um retrato preocupante do atual cenário nacional. O comunicado destaca que este crime recorda que “ninguém está imune às investidas da intolerância e da violência”.
A Ordem dos Advogados aponta que os recorrentes relatos de violência e intolerância que têm vindo a abalar Moçambique não devem ser ignorados, constituindo “sinais profundamente preocupantes de uma deterioração da segurança pública e do tecido moral da sociedade”. A instituição apela a que toda a sociedade se sinta interpelada por esta escalada de violência contra defensores dos excluídos.
Solidariedade e Exigência de Justiça
No seu comunicado, a OAM expressou a sua total solidariedade:
- À Igreja Católica;
- À Diocese de Quelimane;
- À família de Dom Osório Afonso;
- A todos os fiéis que choram esta perda classificada como “irreparável”.
Para garantir que o crime não fica impune, a Ordem dos Advogados de Moçambique encerrou a sua mensagem com uma forte exigência dirigida às forças da lei. A instituição instou as autoridades competentes a conduzirem uma investigação que seja, em simultâneo, “célere, rigorosa e transparente”, por forma a identificar de forma conclusiva os autores materiais deste assassinato.
