O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu, esta terça-feira, em Maputo, uma maior aproximação das universidades às comunidades, considerando que as instituições de ensino superior ainda se encontram distantes da realidade vivida pela maioria da população.
A posição foi manifestada durante uma palestra intitulada “O Olhar do Presidente Chissano sobre o Papel da UEM na Construção do Estado Moçambicano Independente”, realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos da atribuição do nome Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Na sua intervenção, Chissano afirmou que continua sem sentir uma presença efectiva das universidades junto do povo, defendendo que estas instituições devem reforçar a sua ligação com as comunidades.
Embora tenha reconhecido o trabalho académico desenvolvido pelas universidades, o antigo Chefe de Estado sublinhou que o conhecimento produzido deve resultar em benefícios concretos para a sociedade moçambicana.
“Fazemos investigação, escrevemos, o Presidente vem aqui, discursa, e pensamos que o discurso do Presidente está lá e que o povo vai utilizar. Não é assim. O povo fica ainda um pouco afastado”, afirmou Joaquim Chissano.
Para o antigo estadista, o principal desafio das instituições de ensino superior passa por deixar de apenas transmitir conhecimento às comunidades e passar a integrar-se de forma mais activa na vida da população, contribuindo directamente para a resolução dos seus problemas e para o desenvolvimento do país.
