A empresa queniana Sanivation desenvolveu uma tecnologia inovadora que permite transformar fezes humanas em briquetes, um biocombustível sólido produzido a partir de biomassa compactada.
O sistema baseia-se num modelo de saneamento descentralizado que inclui a instalação de sanitários nas residências, a recolha periódica dos resíduos mediante o pagamento de uma taxa mensal e o tratamento do material para posterior reutilização como combustível sólido destinado à confeção de alimentos, aquecimento de ambientes e utilização em processos industriais.
Depois de recolhidos, os resíduos passam por um tratamento térmico alimentado por energia solar, tornando-os seguros para reutilização. Em seguida, o material é combinado com uma fonte rica em carbono e transformado em briquetes de combustível.
De acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), os briquetes produzidos pela Sanivation possuem um poder calorífico de cerca de 22 megajoules por quilograma (MJ/kg), superior ao da lenha, que apresenta aproximadamente 15 MJ/kg, e próximo ao do carvão vegetal, com cerca de 29 MJ/kg.
Segundo a empresa, o combustível pode permanecer em combustão durante quatro a cinco horas, superando o carvão vegetal, que queima durante cerca de três horas, e a madeira, cuja duração média é de aproximadamente uma hora.
A Sanivation afirma ainda que a tecnologia contribui para reduzir a pressão sobre as florestas ao substituir o consumo de lenha e carvão vegetal. Dados dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) indicam que cada tonelada de briquetes comercializada pode evitar o abate de cerca de 88 árvores.
Além da produção de combustível, o projeto procura responder aos desafios enfrentados por regiões com reduzida cobertura de saneamento, evitando que resíduos humanos sejam descartados a céu aberto ou contaminem os solos e cursos de água, transformando-os numa matéria-prima com valor comercial.
Em janeiro de 2026, o Private Infrastructure Development Group (PIDG), organização especializada no financiamento e desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis em mercados de fronteira da África Subsaariana e do Sul e Sudeste Asiático, anunciou um investimento de 3,3 milhões de dólares para expandir a unidade de tratamento da Sanivation em Naivasha, no Quénia.
A iniciativa inclui ainda 500 mil dólares destinados à assistência técnica. Com a ampliação, a capacidade da unidade deverá aumentar para tratar resíduos produzidos por entre 100 mil e 130 mil residências, reforçando simultaneamente os serviços de saneamento e a produção de briquetes de combustível.
