Crescimento de Acidentes com Mototáxis em Moçambique Vale Apelido de “Descanse em Paz” e Asfixia Hospitais
O meio de transporte de duas rodas, adotado por inúmeros moçambicanos como uma alternativa económica e célere, passou a simbolizar a grave crise de segurança nas estradas do território nacional. Na capital, Maputo, os cidadãos batizaram este serviço, em tom de ironia e pavor, com a alcunha fúnebre de “Descanse em Paz”, evidenciando o crescimento vertiginoso da sinistralidade associada às motorizadas.
Estatísticas Oficiais e Fatores de Risco
Conforme indica o balanço anual do Ministério Público, o país contabilizou 611 sinistros rodoviários em 2025, tragédias que ceifaram a vida a 830 pessoas. Entidades ligadas à segurança viária, a exemplo da AMVIRO, identificam o crescimento caótico desta atividade, somado à condução arriscada e à frouxa inspeção policial, como as causas principais destes índices preocupantes.
A concentração de acidentes afeta sobretudo a zona sul:
- A Província de Maputo assume a liderança trágica com 152 óbitos.
- A Cidade de Maputo regista 139 mortes.
- A Província de Gaza totaliza 88 vítimas mortais.
O Impacto Crítico nas Unidades Hospitalares
A pressão gerada reflete-se diretamente no setor da saúde. No Hospital Geral José Macamo (Cidade de Maputo), deram entrada 101 condutores de mototáxi lesionados no espaço de apenas sete dias. Por sua vez, o Hospital Central de Maputo (HCM) assistiu a uma subida de 10 para 98 casos de sinistros com motorizadas num intervalo recente de cinco meses.
Noutras regiões, a situação é igualmente grave:
- Na Beira, o Hospital Central viu a afluência diária saltar de uma média compreendida entre 3 e 5 pacientes para cerca de 20 feridos por dia devido a acidentes de moto.
- Em Chimoio (província de Manica), um único fim de semana contabilizou 4 mortos e 23 feridos socorridos no Hospital Provincial.
Os profissionais de saúde denunciam enfermarias de ortopedia sobrelotadas, carência de leitos e um crescimento acentuado de intervenções cirúrgicas de emergência decorrentes de traumas, ameaçando o atendimento a outros utentes.
Principais Causas e Resposta Policial
Como fatores desencadeantes, apontam-se o excesso de velocidade, as manobras perigosas e irregulares em artérias congestionadas (como sucede na Avenida Marginal), as ultrapassagens arriscadas e a ininterrupta tensão entre condutores de automóveis e motociclistas.
O cenário agrava-se porque grande parte dos operadores conduz sem carta de condução, sem o livrete da viatura e desprovida de seguro obrigatório, dificultando a responsabilização legal pós-acidente. Face a este panorama crítico, a Polícia Municipal e a Polícia de Trânsito reforçaram a fiscalização, executando apreensões em larga escala de motorizadas em situação ilegal por várias urbes.
