Chefe da Auditoria Interna do INSS Recebeu 2 Milhões de Meticais em Suborno e Denunciou o Esquema
Data de Publicação: 12 de Agosto de 2026
O processo de corrupção que envolve o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) conheceu novos desenvolvimentos com a revelação do papel desempenhado por Lino Khalau, Chefe do Departamento de Auditoria Interna da instituição, na exposição do
desvio de 510 milhões de meticais dos cofres públicos.
Conforme a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP), o ex-Director-Geral do INSS, Joaquim Siúta, em conluio com o empresário Abubacar Sumaila, promoveu diversos encontros com o auditor Lino Khalau. O objetivo das reuniões consistia em negociar uma contrapartida financeira para que este interrompesse os exames de auditoria que incidiam sobre os contratos n.º 047/CP/INSS/UGEA/2022 e n.º 120/CP/INSS/2023.
Falha nas Negociações e Entrega da Manteiga de Valores
De acordo com os elementos constantes do processo, as tratativas entre os arguidos acusados da delapidação dos 510 milhões de meticais e o auditor interno não resultaram num consenso satisfatório entre as partes.
Não obstante o impasse negocial, Joaquim Siúta entregou pessoalmente a Lino Khalau uma pasta de tom lilás contendo a quantia de 2 milhões de meticais, montante que passou a figurar como elemento determinante no decurso da investigação do escândalo financeiro no organismo responsável pela segurança social em Moçambique.
Denúncia à PGR e Depósito do Montante Apreendido
Na sequência da receção do envelope com o dinheiro disponibilizado por Joaquim Siúta, Lino Khalau recusou manter o suborno e dirigiu-se de imediato às instalações da Procuradoria-Geral da República (PGR) para formalizar a denúncia do ato ilícito.
O montante entregue pelo auditor foi subsequentemente canalizado e depositado na conta de Gestão de Ativos Apreendidos, domiciliada no Banco de Moçambique, cumprindo os trâmites legais previstos para a salvaguarda de valores afetos a instrução criminal até à decisão judicial definitiva.
Reações Familiares e Impacto no Processo
O desdobramento do caso gerou repercussões no âmbito pessoal, com Elisa Fondo, esposa do antigo Director-Geral Joaquim Siúta, a apelidar publicamente Lino Khalau de “um diabo”, reação que reflete o nível de crispação entre os intervenientes no processo.
A clarificação desta atuação entre o auditor e os visados no desvio dos 510 milhões de meticais do INSS afigura-se crucial para o desenvolvimento das diligências judiciais em curso.
