Revelações de Antigo Colaborador Expoem Dinâmicas Internas de Plataformas Digitais de Microcrédito
O escândalo em torno das aplicações de microcrédito online adquire novos desenvolvimentos através das declarações de um ex-trabalhador, que detalhou em entrevista os métodos de cobrança exercidos, o grau de exigência sobre os operacionais e a alegada identidade dos verdadeiros donos de tais negócios.
A Propriedade das Plataformas e o Sistema de Avaliação
De acordo com o antigo colaborador, os verdadeiros donos por trás de estruturas como a MzCash, a FlexiMola e outras aplicações de funcionamento idêntico seriam cidadãos de nacionalidade chinesa. Contudo, o aspeto mais grave denunciado recai sobre a metodologia de desempenho aplicada aos cobradores.
Os agentes de cobrança enfrentam avaliações contínuas a cada três dias, sendo que uma taxa de recuperação insatisfatória resulta em avisos e, eventualmente, no despedimento. O ex-funcionário resume a exigência com a frase: “Se tu não consegues pressionar a pessoa a pagar, em três dias estás fora”. Na prática, o processo opera por ciclos de nove dias: após uma primeira avaliação negativa no termo de três dias, segue-se uma segunda advertência aos seis dias, culminando na perda do posto de trabalho caso surja uma terceira nota negativa.
Impacto Psicológico, Dimensão em Maputo e Irregularidades
Este modelo de gestão gera, segundo o testemunho, uma intensa pressão psicológica sobre os colaboradores. Questionado acerca da escala operacional, o antigo funcionário estima que existam mais de 200 jovens afetados a este tipo de funções apenas na cidade de Maputo — uma escala que, embora careça de confirmação independente por parte da EcoTV, evidencia uma estrutura empresarial de molde considerável e predominantemente jovem.
Para além da forte coação associada aos métodos de cobrança de dívidas, o ex-trabalhador denunciou ainda a existência de alegadas irregularidades no que respeita aos descontos e contribuições obrigatórias para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
