Clientes têm fotos nuas vazadas em perfil de clínica de estética
Um conjunto de mulheres apresentou denúncias contra a proprietária de uma clínica de estética situada em Fortaleza, no Ceará, acusando-a de registar vídeos de clientes sem o respetivo consentimento enquanto estas se encontravam despidas.
A Exposição nas Redes Sociais
A dona do espaço, identificada como Val Silveira (ou Valdineide), é apontada como autora de gravações clandestinas que visavam clientes, amigos e familiares. Os ficheiros visuais foram indevidamente divulgados na internet a partir de uma segunda-feira (10), altura em que as contas nas redes sociais da própria empresária começaram a publicar várias fotografias de diferentes utentes da clínica.
Os conteúdos foram partilhados com recurso a tarjas, acompanhados de convites para que as clientes contactassem os perfis no sentido de aceder à totalidade do material gravado. Na respetiva página, a pessoa responsável pela publicação dos dados autodefinia-se como “mais uma vítima” da empresária.
Intervenção das Autoridades e Defesa da Proprietária
A Secretaria de Segurança Pública do Ceará confirmou estar a averiguar a denúncia centrada num “crime contra a dignidade sexual, que teria sido praticado em ambiente virtual”. De acordo com a Polícia Civil, foram formalizados boletins de ocorrência no 6º Distrito Policial, os quais transitaram posteriormente para a alçada da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza. Em paralelo, a dona da clínica também recorreu à polícia para registar uma ocorrência, alegando ter sofrido uma invasão nas suas contas digitais.
Através de um vídeo que circula nas redes sociais, Valdineide surge a prestar declarações, manifestando o intuito de regressar à delegacia para solucionar o caso e sublinhando: “Não fiz isso com ninguém, tá? Eu tenho minha versão da história. Tem muita coisa que já falei para a polícia que vocês não sabem, e que se eu falar também não vai resolver nada”. Em contactos diretos com o UOL, a empresária sustentou ter sido vítima de um esquema virtual, bem como de ameaças e extorsão.
O Desabafo de uma das Vítimas e o Envolvimento de Menores
Entre as pessoas filmadas sem autorização encontra-se a influenciadora digital Beth Campêlo, cliente da clínica há quatro anos, que partilhou publicamente o seu choque perante a situação: “Era o meu momento de relaxar. Nunca imaginei que a Val [dona da clínica] faria isso, nunca mesmo, nunca imaginei”. A cliente recordou que, em certas ocasiões, chegou a desconfiar, mas era prontamente desarmada com justificações do género: “amiga, bati só uma foto para acompanhar teu resultado”.
Segundo Beth, a proprietária simulava estar a enviar mensagens de áudio para conseguir filmar as clientes de forma dissimulada. A influenciadora revelou ainda ter sido contactada pela pessoa responsável por expor os registos, descobrindo que o acervo continha inclusive vídeos de familiares e dos próprios filhos da empresária (que são crianças): “Tem vídeo dos filhos dela, ela gravava os próprios filhos. (…) Ela pede para a criança ficar pelada, a criança pede: ‘mamãe não grava’, e ela grava e mostra”. Foi este cenário que a levou a avançar com a denúncia oficial.
Por fim, Beth Campêlo relatou ter sido integrada por Val num grupo de WhatsApp juntamente com outras vítimas, intitulado “Vou provar que sou inocente”, e criticou a narrativa apresentada pela dona da clínica às autoridades, que culpabiliza um suposto namorado virtual de São Paulo — identificado com o pseudónimo Pedro Lucas — a quem atribui a instalação de um aplicativo de acesso remoto e a autoria do esquema para a prejudicar.
