O Instituto Nacional de Saúde (INS) promoveu, nesta quinta-feira (13 de agosto), na cidade de Maputo, uma ação de capacitação voltada para profissionais de comunicação social. A iniciativa teve como propósito central aprimorar as competências dos jornalistas na interpretação, abordagem e disseminação de informações científicas ligadas ao setor da saúde.
Organizada pela Divisão de Comunicação e Educação Científica em Saúde do INS, a formação enquadra-se na estratégia da instituição para estreitar a relação entre a ciência e a sociedade, promovendo a educação científica através de evidências comprovadas.
Temáticas e Ferramentas Abordadas
A capacitação reuniu jornalistas de diversos órgãos de comunicação e incidiu sobre aspetos práticos e éticos da profissão. Entre os principais pontos discutidos, destacam-se:
- Verificação de Factos: Estratégias para a busca e validação de informações fidedignas.
- Gestão de Fontes: A importância de utilizar e diversificar fontes credíveis na construção de narrativas jornalísticas.
- Sensibilidade Editorial: Cuidados específicos a observar durante a cobertura noticiosa de temas de saúde pública.
- Inteligência Artificial (IA): Orientações sobre o uso adequado de ferramentas de IA no jornalismo, sublinhando a obrigatoriedade de verificação rigorosa para garantir a precisão dos conteúdos publicados.
O Papel da Imprensa na Prevenção e Saúde Pública
O Diretor de Formação e Comunicação em Saúde do INS, Rufino Gujamo, marcou presença no evento e enfatizou que o envolvimento ativo da classe jornalística é um pilar para a educação científica da população. Para o dirigente, fornecer informação credível é uma arma indispensável na prevenção de patologias.
“Grande parte dos desafios com os quais nos confrontamos em matéria de saúde pública passa, necessariamente, pela educação científica em saúde” — afirmou Gujamo.
O diretor alertou para a sobrecarga gerada pelo aumento das doenças crónicas não transmissíveis (como a diabetes e a hipertensão), pelos casos de trauma e pela persistência de doenças infeciosas, frisando que o combate eficaz a estes problemas exige a disseminação de conhecimento preventivo de qualidade.
Valorização da Investigação Científica Nacional
Outro ponto de reflexão levantado por Rufino Gujamo foi a tendência dos meios de comunicação nacionais para privilegiarem a divulgação de estudos científicos e descobertas provenientes do estrangeiro. O responsável apelou a uma maior valorização da ciência “feita em casa”, lembrando que instituições moçambicanas (incluindo o INS e entidades académicas) produzem um volume vasto de evidências sobre as doenças que afetam diretamente a população local, tais como a malária, a cólera e a disenteria.
Para Gujamo, esta capacitação representa apenas o passo inicial para a criação de programas de formação mais robustos, expressando o desejo de que Moçambique venha a contar, num futuro próximo, com uma rede de jornalistas amplamente especializados em ciência. O objetivo final é claro:
aproximar o conhecimento científico do cidadão comum através de um jornalismo ancorado no rigor, em fontes seguras e na investigação nacional.
