Um jovem de 30 anos, vítima de um grave acidente de viação, recebeu alta do Hospital Central de Nampula (HCN) depois de passar por um complexo processo de tratamento e reconstrução facial, marcado por complicações, intervenções cirúrgicas e cuidados intensivos.
O paciente deu entrada no Hospital Central de Nampula com um traumatismo craniofacial grave, apresentando o rosto severamente destruído e com a sua arquitectura normal comprometida. Os exames realizados revelaram fracturas complexas em diferentes segmentos da face, incluindo fracturas bilaterais da mandíbula e uma fractura do maxilar esquerdo.
Apesar da gravidade do quadro, o jovem encontrava-se consciente e não apresentava lesões cerebrais que impedissem a intervenção. No entanto, a extensão do traumatismo representava um risco significativo para funções essenciais, como respirar, mastigar e alimentar-se.
Primeira cirurgia foi interrompida após paragem cardiorrespiratória
O tratamento exigiu a participação de várias especialidades médicas do HCN. A primeira cirurgia foi realizada no dia 11 de Agosto de 2026, mas precisou de ser interrompida depois de o paciente sofrer uma paragem cardiorrespiratória durante o procedimento.
A equipa de Anestesiologia interveio rapidamente, conseguindo reanimar e estabilizar o paciente. Após o episódio, o jovem permaneceu internado na unidade de Reanimação, onde recebeu cuidados intensivos.
As dificuldades respiratórias persistiram e levaram à necessidade de realização de uma traqueostomia, procedimento utilizado para garantir uma via respiratória adequada.
Antes mesmo da primeira intervenção, a cirurgia já tinha sido adiada devido à presença de anemia moderada. O paciente recebeu transfusão sanguínea até reunir condições clínicas consideradas adequadas para ser submetido ao procedimento.
Segunda intervenção permitiu corrigir as fracturas
Depois da estabilização clínica e de uma avaliação conjunta entre as diferentes especialidades envolvidas no caso, a equipa médica decidiu prosseguir com o tratamento.
No dia 16 de Setembro de 2026, o paciente regressou ao bloco operatório para uma segunda cirurgia. Durante o procedimento, foram corrigidas as fracturas da mandíbula e do maxilar.
Ao contrário da primeira tentativa, a segunda intervenção decorreu sem complicações.
Por precaução e para garantir uma vigilância adequada após a cirurgia, o paciente permaneceu durante mais dois dias na Reanimação. Posteriormente, foi transferido para a Cirurgia 3, onde continuou o processo de recuperação.
Após semanas de tratamento, paciente recebe alta
Depois de várias semanas de internamento, intervenções cirúrgicas, vigilância intensiva e cuidados continuados, o jovem recebeu finalmente alta hospitalar.
O caso começou com um quadro de trauma que deixou a face gravemente desfigurada. Após o tratamento cirúrgico, a reconstrução permitiu recuperar o alinhamento das estruturas ósseas afectadas.
A imagem de TAC realizada após a intervenção evidencia o resultado da reconstrução. Onde o acidente havia provocado uma destruição significativa da arquitectura facial, o tratamento cirúrgico permitiu restabelecer o alinhamento das estruturas ósseas, criando condições para a recuperação das funções que estavam comprometidas.
Tratamento envolveu várias especialidades
O sucesso do tratamento resultou de um esforço conjunto de várias áreas do Hospital Central de Nampula, entre elas Cirurgia Maxilofacial, Anestesiologia, Otorrinolaringologia, Neurocirurgia, Reanimação e Enfermagem, além de outras equipas envolvidas no acompanhamento do paciente.
O caso exigiu uma resposta multidisciplinar, sobretudo depois das dificuldades encontradas durante a primeira cirurgia e das complicações respiratórias que se seguiram.
Para o especialista em Cirurgia Maxilofacial, Dr. Alexeis, médico cubano que presta serviço no Hospital Central de Nampula, casos desta complexidade mostram que o tratamento de lesões faciais não se limita à recuperação da aparência.
Segundo o especialista, a Cirurgia Maxilofacial procura também reconstruir estruturas e recuperar funções fundamentais para a vida e qualidade de vida do paciente.
O desfecho do caso destaca ainda a importância da capacidade técnica, das condições disponíveis no hospital e, sobretudo, da dedicação dos profissionais de saúde, que mantiveram o acompanhamento e o tratamento mesmo depois de uma complicação grave ter obrigado à interrupção da primeira intervenção.
Assim, o percurso do paciente passou de uma face gravemente destruída pelo acidente à alta hospitalar, num processo marcado pela ciência, trabalho em equipa, persistência e cuidados médicos.
O NOSSO MAIOR VALOR É A VIDA.
Fonte: Hospital Central de Nampula (HCN) / DCI.
