Moradores de Napipine ficam em alvoroço após suposto “avião mágico” cair com pato assado
Nampula — Um episódio insólito deixou moradores da zona residencial de Nicutha, no posto administrativo de Napipine, cidade de Nampula, surpreendidos na manhã de sábado, dia 22.
Os residentes foram confrontados com a queda de um objecto semelhante a um pequeno avião, que, segundo relatos locais, transportava patos assados e outros materiais considerados estranhos.
A ocorrência rapidamente atraiu a atenção de vários moradores, que se deslocaram ao local para tentar perceber o que teria acontecido. O episódio provocou curiosidade, agitação e uma série de comentários sobre a origem do que alguns passaram a chamar de “avião mágico”.
De acordo com fontes locais, o objecto teria caído numa residência, levando os proprietários a procurar ajuda para compreender a origem dos materiais encontrados e, segundo os próprios, afastar qualquer possível maldade associada ao acontecimento.
Moradores suspeitam de feitiçaria
Minguinho Chalé, residente na zona, afirmou que existem muitas pessoas que, na sua opinião, praticam feitiçaria no bairro e levantou a possibilidade de o episódio estar relacionado com um alegado “ajuste de contas”.
«“Aqui no bairro está cheio de feiticeiros e invejosos. Ouvimos que o dono da casa procurou um curandeiro para fazer um tratamento na residência. O curandeiro esteve aqui e fez o seu trabalho. Esperamos que em breve se conheça a pessoa que fez isso, porque tudo tem o seu início e também tem o seu fim.”»
Outra moradora, Fátima Francisco, que acompanhou a situação desde os primeiros momentos, também manifestou suspeitas sobre os materiais encontrados.
«“Existem pessoas de má-fé que não sentem pena dos outros. Aquilo que está lá é muito sujo. Parece pato assado, mas há outras coisas que não dão para olhar duas vezes.”»
Fátima acrescentou que, caso se confirme a interpretação de que o episódio estaria relacionado com feitiçaria, espera que o responsável tenha consciência da gravidade da situação.
«“Se for verdade que é feitiçaria, espero que essa pessoa tenha vergonha, porque aquilo que aconteceu é muito feio.”»
Proprietária diz ter encontrado o objecto junto à residência
Magrete Aissa, proprietária da residência onde o objecto teria caído, contou que descobriu a situação quando acordou para sair e fazer compras para as festividades do dia 22.
Segundo a moradora, ao chegar à porta da residência encontrou o suposto avião acompanhado por materiais que considerou estranhos e sujos.
«“Eu acordei sem saber que havia alguma coisa lá fora, mas, quando cheguei à porta, encontrei esse avião com coisas sujas. Chamei algumas pessoas para me ajudarem a ver o que estava a acontecer.”»
Magrete afirmou ainda que algumas pessoas lhe disseram que o alegado acto poderia ter como objetivo atingir ela, o marido e outros membros da família, supostamente por estarem a viver bem no bairro.
«“Disseram que a pessoa que fez isso queria matar a mim, ao meu marido e à minha família, porque estamos a viver bem neste bairro.”»
Família paga 7 mil meticais por tratamento
A proprietária revelou igualmente que procurou a intervenção de um curandeiro, que, segundo ela, realizou um tratamento na residência.
Pelo procedimento, a família terá pago 7.000 meticais.
Magrete acredita que a intervenção poderá contribuir para afastar aquilo que considera uma possível ameaça à sua família e ajudar a esclarecer o episódio.
Comunidade dividida sobre origem do “avião mágico”
O caso está a gerar divisão de opiniões entre os moradores de Nicutha.
Enquanto alguns residentes defendem que os materiais encontrados podem estar relacionados com práticas de feitiçaria, outros demonstram dúvidas e questionam a verdadeira origem do objecto e dos materiais que estavam junto dele.
A comunidade aguarda pelos próximos desenvolvimentos e espera que seja possível identificar os responsáveis pelo alegado “avião mágico”.
Até ao encerramento da reportagem, a Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) ainda não tinha apresentado qualquer posicionamento sobre o caso.
Fonte: Ikweli
