Quelimane, 15 de Agosto de 2026 – As celebrações do primeiro aniversário do Partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) na cidade de Quelimane, província da Zambézia, foram marcadas por graves incidentes de violência. Em comunicado oficial emitido pela sua Direcção Nacional de Informação, o partido acusa a Polícia da República de Moçambique (PRM) de reprimir brutalmente uma marcha pacífica, resultando em feridos, incluindo crianças e um jornalista baleado.
Os factos relatados constam de um extenso documento de repúdio divulgado pelo partido (referente aos ficheiros 1001260037.jpg, 1001260038.jpg e 1001260039.jpg), que detalha a cronologia dos eventos e exige a responsabilização imediata das autoridades policiais.
Cumprimento de Formalidades e Tentativa de Diálogo
De acordo com o comunicado da ANAMOLA, o partido assegurou o rigoroso cumprimento de todos os trâmites legais prévios à realização do evento. As autoridades competentes foram notificadas com antecedência:
- Conselho Municipal de Quelimane: Foi submetido um ofício a 4 de Agosto solicitando proteção de segurança, seguido de um segundo documento a 10 de Agosto detalhando o itinerário da marcha.
- Comando Provincial da PRM na Zambézia: Um ofício com o mesmo teor, informando o percurso e solicitando escolta, foi entregue a 10 de Agosto.
- Reuniões de Cortesia: A Coordenação Provincial do partido agendou encontros com ambas as entidades no dia 11 de Agosto para reafirmar o compromisso com a paz, o diálogo e a estabilidade social.
O Início do Confronto
As festividades estavam divididas em duas etapas. O primeiro momento, um Comício Popular, decorreu sem sobressaltos e encerrou dentro da normalidade às 14h30. O cenário alterou-se drasticamente no segundo momento, a Marcha Pacífica, que deveria partir do Jardim dos Namorados até à Praça da Paz.
Segundo o relato da ANAMOLA, o ataque policial começou pontualmente às 15h00. No exato momento em que o Presidente do partido, Venâncio Mondlane, saía do seu veículo para liderar a caminhada, a polícia abriu fogo contra a sua viatura e, simultaneamente, contra o carro de som onde se encontrava o animador do evento, MC Bandeira.
Num dos episódios mais insólitos e graves denunciados no documento, o partido acusa a polícia de ter disparado intencionalmente contra um enxame de abelhas no local. O ataque provocou a dispersão dos insetos, que acabaram por picar diversos membros e simpatizantes do partido.
Balanço de Vítimas
A violenta intervenção da PRM causou vítimas civis que participavam ou acompanhavam a marcha. O partido confirmou o seguinte balanço provisório de feridos:
- Jornalista Baleado: O jornalista Isaac Bonifácio foi atingido por uma bala verdadeira e encontra-se atualmente hospitalizado.
- Crianças Atingidas: Duas crianças sofreram os efeitos do gás lacrimogéneo lançado pelas autoridades. Uma das vítimas é uma criança com deficiência, encontrando-se ambas sob cuidados médicos.
- Ataque de Abelhas: Pelo menos um membro do partido encontra-se em estado de observação no Hospital Central de Quelimane na sequência das picadas resultantes da ação policial.
Exigências e Apelo à Nação
O Partido ANAMOLA repudiou veementemente a atuação da PRM, classificando-a como um ataque violento contra cidadãos no pleno exercício dos seus direitos constitucionais. Reiterando o seu compromisso com a via pacífica, a direção do partido apresentou um caderno de exigências às autoridades moçambicanas:
- Abertura imediata de um inquérito sério, transparente e independente.
- Responsabilização criminal e disciplinar dos agentes da ordem envolvidos nos ataques.
- Respeito rigoroso pela legislação que consagra e protege a liberdade de reunião e manifestação.
- Garantia de segurança estatal para a prossecução das atividades políticas da ANAMOLA em todo o território nacional.
A nota termina com um apelo à vigilância e solidariedade por parte da sociedade civil moçambicana, das instituições do Estado, da comunidade internacional e da comunicação social perante o que descrevem como um grave atentado ao Estado de Direito e às liberdades fundamentais em Moçambique.



