O Chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, apresentou um pedido formal de desculpas ao Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, devido à recente onda de violência perpetrada por cidadãos sul-africanos contra imigrantes, afetando gravemente a comunidade moçambicana.
A informação foi avançada a partir de Durban (KwaZulu-Natal) pela Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria dos Santos Lucas, na noite deste sábado (15 de Agosto).
O Contexto da Violência e as Suas Consequências A onda de discriminação e xenofobia resultou num cenário devastador em vários assentamentos informais da África do Sul. Os ataques foram caracterizados por:
- Pilhagens e destruição de propriedades;
- Tumultos com vítimas mortais;
- Assédio, agressões físicas e ameaças constantes.
Devido a este clima de insegurança extrema, milhares de cidadãos moçambicanos viram-se forçados a fugir das suas casas, perdendo os seus meios de subsistência.
Um Pedido de Desculpas “Com Toda a Humildade” Segundo a ministra Maria dos Santos Lucas, o pedido de perdão ocorreu à margem de uma palestra na Universidade de KwaZulu-Natal, na qual o Presidente Chapo esteve presente. O encontro insere-se no contexto da 46.ª Cimeira Ordinária da SADC, que arranca na próxima segunda-feira, 17 de Agosto.
A governante destacou que o Presidente Ramaphosa agiu “com toda a humildade”. Embora o governo sul-africano historicamente trate o problema sob a perspetiva da imigração ilegal, desta vez o foco foi o repúdio à violência. A ministra reconheceu que houve falhas na gestão da crise, mas sublinhou que a postura da diplomacia moçambicana não é de crítica, mas sim de procurar o diálogo para “sarar as feridas abertas”.
A Xenofobia na Agenda da SADC A questão da xenofobia continuará a ser abordada por Ramaphosa junto dos seus homólogos durante a Cimeira. O tema já havia sido levantado proativamente pela África do Sul numa reunião do Conselho de Ministros do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, uma atitude que mereceu elogios por parte dos presentes, uma vez que o assunto não estava na agenda oficial.
A Agenda do Presidente Daniel Chapo A deslocação do Chefe de Estado moçambicano à África do Sul inclui compromissos de grande relevância política e de segurança:
- Encontro Bilateral: Antes da Cimeira, Chapo terá uma reunião a sós com Cyril Ramaphosa para debater dossiês bilaterais.
- Ponto de Situação de Cabo Delgado: Este domingo (16 de Agosto), o Presidente participará, como convidado, na reunião do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC (dado que Moçambique não integra atualmente a Troika), onde prestará informações atualizadas sobre a situação de segurança nos distritos afetados pelo terrorismo em Cabo Delgado.
Decisões e Transição na 46.ª Cimeira da SADC A Cimeira de Chefes de Estado, a decorrer na segunda-feira, terá como pontos altos:
- Transição de Liderança: A passagem da Presidência rotativa da SADC do Zimbabwe para a África do Sul.
- Orçamento 2026-2027: A aprovação do plano financeiro da organização para o próximo biénio.
- Fundo de Desenvolvimento Regional: Avaliação da operacionalização deste fundo, crucial para a integração regional. Moçambique já assinou o instrumento, mas é necessária a ratificação por parte de 11 Estados-Membros para que o mesmo entre plenamente em vigor.
Comitiva Moçambicana Nesta missão oficial a Durban, o Presidente Daniel Chapo faz-se acompanhar por uma delegação de alto nível que inclui:
- Maria dos Santos Lucas (Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação);
- Basílio Muhate (Ministro da Economia);
- Maria Gustava (Alta-Comissária de Moçambique na África do Sul);
- António Macheve (Alto-Comissário de Moçambique no Botswana e Representante Permanente junto da SADC).
(Baseado na reportagem de Alberto Massango / AIM).
