A contagem dos votos na Zâmbia foi retomada depois de a Comissão Eleitoral ter suspendido temporariamente o processo em todo o território nacional devido a episódios de violência relacionados com as eleições. As autoridades eleitorais afirmam que a situação de segurança foi controlada e que existem agora condições para o reinício da apuração.
Os primeiros resultados oficiais da eleição presidencial são esperados este sábado.
A decisão de retomar a contagem surgiu após consultas entre a Comissão Eleitoral da Zâmbia e as forças de segurança, além de uma nova avaliação das condições existentes no terreno.
A presidente da Comissão Eleitoral, Mwangala Zaloumis, afirmou que a ameaça ao processo eleitoral foi contida e que foram implementadas medidas destinadas a garantir que a apuração possa continuar em segurança.
Contagem foi interrompida após actos de violência
A contagem tinha sido suspensa na sexta-feira, depois de serem registados actos de violência contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins de voto já preenchidos.
A interrupção atingiu tanto a eleição presidencial como as eleições parlamentares, aumentando a expectativa em torno da capacidade das autoridades de retomarem o processo sem novos incidentes.
Candidatos apresentam versões diferentes
Enquanto os resultados oficiais ainda não foram anunciados, os principais candidatos já começaram a reagir aos números que afirmam estar a receber das suas estruturas de campanha.
O Presidente Hakainde Hichilema, que procura conquistar um segundo mandato de cinco anos, afirmou que a sua campanha estava a receber resultados considerados “animadores”. O chefe de Estado apelou aos seus apoiantes para manterem a calma e aguardarem a divulgação oficial dos resultados pela Comissão Eleitoral.
Do lado da oposição, o principal candidato Brian Mundubile declarou-se vencedor da eleição presidencial. O opositor afirmou também que a sua coligação teria conquistado a maioria dos assentos no Parlamento.
A divulgação dos resultados oficiais será decisiva para determinar se Hichilema permanecerá no poder por mais cinco anos ou se a oposição conseguirá provocar uma mudança de Governo na Zâmbia, país considerado um dos principais produtores de cobre do continente africano.
Eleições decorreram num ambiente de tensão
Cerca de 8,7 milhões de eleitores estavam inscritos para participar nas eleições realizadas na quinta-feira. Além da escolha do Presidente, os eleitores foram chamados a eleger deputados e representantes das estruturas locais.
A campanha e o processo eleitoral foram marcados por preocupações relacionadas com as liberdades políticas, detenções e tensões entre o Governo e a oposição.
As autoridades também detiveram várias pessoas acusadas de tentar perturbar o processo eleitoral. Entre os detidos estavam antigos altos funcionários do Estado.
A violência registada durante a apuração aumentou as preocupações sobre a estabilidade do processo e levou à decisão de interromper temporariamente a contagem em todo o país.
Economia esteve no centro da campanha
As condições económicas também estiveram entre os principais temas das eleições.
Durante o seu mandato, Hakainde Hichilema alcançou um importante acordo para a reestruturação da dívida pública da Zâmbia, retomou o programa de assistência financeira com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e conduziu a economia para uma trajectória de crescimento, depois de o país ter entrado em incumprimento da sua dívida soberana durante o Governo anterior.
Apesar desses avanços, os problemas económicos continuam a pesar sobre a população. Pobreza, desemprego e aumento dos preços dos alimentos estão entre as principais preocupações manifestadas pelos eleitores.
Dados do Banco Mundial indicam que mais de 70% da população zambiana vive com menos de três dólares por dia.
Atenção internacional sobre a contagem
Desde o regresso ao multipartidarismo, em 1991, a Zâmbia mantém um histórico de transições de poder consideradas pacíficas.
Por esse motivo, a forma como decorrerá a contagem dos votos e, sobretudo, a reacção dos diferentes candidatos aos resultados oficiais estão a ser acompanhadas atentamente dentro e fora do país.
Com a apuração novamente em curso, a expectativa concentra-se agora na divulgação dos primeiros resultados oficiais e na possibilidade de o processo eleitoral prosseguir sem novos episódios de violência.
