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Aproximação de supostos terroristas provoca pânico entre moradores de Macomia

Moradores da comunidade de Nkóe, no centro da província de Cabo Delgado, relatam momentos de tensão e medo devido à aproximação frequente de membros de alegados grupos terroristas às zonas de produção agrícola.

Segundo fontes locais citadas pela Lusa, os episódios têm-se repetido nos últimos dias, principalmente nas áreas agrícolas localizadas nas proximidades do rio Messalo, no distrito de Macomia, onde grande parte dos residentes daquela região tem desenvolvido actividades agrícolas.

“Na zona de produção de Messalo e aqui perto da aldeia, têm estado a circular, por isso é que o medo é maior”, relatou uma fonte da povoação, referindo-se à presença dos alegados insurgentes nas proximidades da comunidade.

A preocupação aumentou depois de, no passado domingo, elementos rebeldes terem alegadamente saqueado um campo de milho situado perto da aldeia de Nkóe.

“Onde eles saquearam milho é mesmo perto da aldeia, por isso alguns tinham fugido para Nova Zambézia”, contou outra fonte local.

A situação não se limita a Nkóe. As comunidades de Nguida e Nova Zambézia, também no distrito de Macomia, assim como Chicomo e Meluco, têm igualmente relatado uma presença ou aproximação frequente de alegados rebeldes, sobretudo nas áreas destinadas à produção agrícola.

Estado Islâmico reivindica ataques

Paralelamente aos relatos das comunidades, extremistas associados ao Estado Islâmico reivindicaram, nesta quinta-feira, vários ataques ocorridos no distrito de Macomia, incluindo confrontos com as Forças de Defesa e Segurança.

Nos seus canais de propaganda, os extremistas afirmam ainda ter decapitado um homem identificado como “cristão” durante um ataque contra uma aldeia localizada em Macomia.

As alegações divulgadas pelos canais de propaganda do grupo não foram, contudo, independentemente confirmadas.

Insurgência continua em Cabo Delgado

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta desde Outubro de 2017 uma insurgência armada protagonizada por grupos associados ao Estado Islâmico.

O conflito tem afectado uma das regiões mais ricas do país em gás natural e, segundo dados de organizações internacionais, já provocou mais de 6.600 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados.

As incursões dos grupos armados não se limitam a Cabo Delgado. As províncias vizinhas de Niassa e Nampula também têm registado incursões de elementos associados à insurgência desde Abril do ano passado.

Enquanto persistem os relatos sobre a aproximação de alegados insurgentes às zonas agrícolas, as comunidades afectadas continuam a enfrentar um cenário de medo e insegurança, particularmente nas áreas onde os residentes dependem da agricultura para a sua subsistência.

Fonte: O País / Lusa

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