vecteezy elderly patient wearing oxygen mask recovering in hospital bed 60004585 scaled

O que as pessoas costumam dizer pouco antes de morrer? Enfermeiras revelam os últimos desejos de pacientes

Quando uma pessoa percebe que está próxima do fim da vida, quais pensamentos passam pela sua cabeça? Para tentar responder a essa pergunta, a BBC conversou com enfermeiras especializadas em cuidados paliativos e atendimento a pacientes com câncer no Hospital da Universidade Royal Stoke, no Reino Unido.

A experiência dessas profissionais revela que, apesar de a morte ser frequentemente associada à tristeza e ao medo, os últimos momentos também podem envolver pedidos simples, demonstrações de afeto, lembranças, desejos pessoais e até momentos de tranquilidade.

Pequenos desejos ganham grande importância

Entre os pedidos feitos por pacientes em estado terminal estão coisas bastante simples. A enfermeira Dani Jervis contou que alguns pacientes pedem sua bebida favorita.

Carina Lowe, que também trabalha no hospital, afirmou que, em determinadas situações, o desejo é ainda mais simples: uma xícara de chá.

Para outros pacientes, a prioridade é estar perto de quem amam. A enfermeira Angela Beeson recordou o caso de uma paciente idosa que estava internada em uma movimentada ala cirúrgica. O marido dela também estava doente, e o desejo dos dois era permanecer juntos.

Segundo Beeson, as camas foram colocadas lado a lado. Os dois ficaram de mãos dadas e chegaram a cantar juntos. Eles morreram naquele mesmo setor, com dez dias de diferença.

Nem sempre há medo ou tristeza

Embora seja natural imaginar os últimos dias de vida como um período dominado pela tristeza, as enfermeiras relatam que também existem momentos de alegria.

Louise Massey contou que uma das situações mais marcantes é observar a felicidade de um paciente quando seu animal de estimação consegue visitá-lo.

Nicki Morgan também se recordou de um caso em que dois cães, um border collie e um pastor alemão, ficaram deitados na cama junto de um paciente. A presença dos animais fazia parte do desejo final daquele homem.

Massey também guarda a lembrança de um paciente que estava morrendo e permanecia apenas parcialmente consciente. Segundo ela, ele afirmou estar feliz por morrer porque havia tido um vislumbre do céu, que descreveu como um lugar maravilhoso. Depois dessa experiência, disse que já não tinha medo de partir.

Relatos que parecem antecipar a própria morte

As enfermeiras também relatam situações que alguns pacientes ou familiares interpretam como uma espécie de premonição.

Morgan contou que já ouviu pessoas dizerem que completariam determinada idade em algumas semanas, fariam sua festa de aniversário e depois morreriam. Segundo ela, em algumas ocasiões, algo semelhante acabou acontecendo.

Esses relatos fazem parte das experiências observadas pelas profissionais durante o acompanhamento de pessoas próximas da morte.

Arrependimentos e oportunidades que ficaram para trás

Quando questionadas sobre arrependimentos, as enfermeiras relatam que alguns pacientes refletem sobre como utilizaram o tempo ao longo da vida.

Dani Jervis recordou o conselho de uma pessoa que lhe disse que a vida é curta e que devemos procurar fazer aquilo que nos traz felicidade.

Morgan destacou que a aposentadoria aparece frequentemente nos pensamentos dos pacientes. Algumas pessoas passaram muitos anos trabalhando, estabeleceram uma data para se aposentar e adoeceram justamente quando esperavam começar a aproveitar mais a vida.

Nesses casos, surge a sensação de que não houve tempo suficiente para fazer as coisas de que realmente gostavam.

Carina Lowe também lembrou uma frase que ouviu recentemente: o processo de morrer não acontece necessariamente da maneira como costuma ser mostrado na televisão ou no cinema.

O que seria uma “boa morte”?

Para Jervis, é possível falar em uma experiência que pode ser considerada uma “boa morte”. Um dos elementos fundamentais, segundo ela, é a comunicação.

Massey concorda e explica que uma boa experiência no fim da vida pode significar diferentes coisas para cada pessoa. Pode envolver não sentir dor, ter familiares por perto ou conseguir morrer no local escolhido.

Por isso, conversar antecipadamente sobre desejos, necessidades e cuidados pode fazer diferença.

O conselho das enfermeiras

As profissionais também deixam algumas reflexões para quem ainda está saudável.

Jervis aconselha as pessoas a procurarem realizar aquilo que realmente desejam, sem deixar tudo para depois.

Massey destaca que, embora atualmente seja possível conversar sobre muitos assuntos, a morte ainda é um tema que muitas pessoas evitam. Para ela, falar sobre a própria vida também envolve discutir objetivos, prioridades e aquilo que realmente importa.

A experiência de Angela Beeson no trabalho também mudou sua própria relação com a morte. Ela afirma que passou a falar abertamente sobre o assunto com a família.

Para as enfermeiras, discutir antecipadamente os cuidados que uma pessoa gostaria de receber pode ajudar a garantir que suas preferências sejam conhecidas quando chegar o momento em que ela já não consiga expressá-las.

Fonte: BBC News

Outras Notícias do Autor

36218667 President Moamer Kadhafi of Libya tears pages from a book as he speaks during the United Na

Gaddafi Ignora o Tempo, Rasga as Cartas da ONU e Faz Discurso de Quase 100 Minutos

FB IMG 1789321178929

AT apreende bebidas avaliadas em mais de 17 milhões de meticais por irregularidades fiscais

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *