Uma criança de dois anos foi encontrada inconsciente numa piscina de uma residência em Phoenix, no estado do Arizona, nos Estados Unidos, e posteriormente declarada morta numa unidade hospitalar. Cerca de cinco horas depois, o menino foi encontrado a respirar na morgue do hospital, num caso que está a levantar questões sobre os procedimentos médicos adoptados. Os pais poderão enfrentar acusações de negligência.
Segundo informações divulgadas pela Associated Press (AP), com base em documentos judiciais, dois agentes da polícia relataram que a criança apresentou sinais de vida em várias ocasiões. Apesar disso, depois de ser observada pela equipa médica, foi transportada para a morgue do Mercy Gilbert Medical Center, onde acabou por ser encontrada viva horas mais tarde.
Durante a ocorrência, um médico terá reagido a um dos agentes da polícia, pedindo-lhe que não interferisse no seu trabalho.
“Por favor, faça o seu trabalho e deixe-me fazer o meu. Eu estudei Medicina por algum motivo”, terá dito o médico ao polícia.
Criança foi encontrada inconsciente numa piscina
Os documentos judiciais indicam que o incidente aconteceu no dia 8 de Fevereiro de 2026, por volta das 17h30, hora local, quando os serviços de emergência médica foram chamados para responder a uma ocorrência de afogamento numa residência em Phoenix.
Quando chegaram ao local, os bombeiros realizaram manobras de reanimação à criança, que tinha sido retirada da piscina. Posteriormente, o menino foi transportado para uma unidade hospitalar, onde foi declarado morto pela equipa médica.
No entanto, aproximadamente cinco horas após a declaração do óbito, os agentes da polícia foram informados de que a criança afinal estava viva. Segundo os relatos, uma equipa médica encontrou o menino a respirar quando este já se encontrava na morgue do hospital.
Após a descoberta, a criança foi imediatamente transportada para outra unidade hospitalar para receber assistência médica.
Hospital promete rever procedimentos após o caso
Na sequência do incidente, o Mercy Gilbert Medical Center divulgou um comunicado no qual afirmou ter realizado uma revisão abrangente dos cuidados prestados à criança, com o objectivo de compreender o que aconteceu e implementar alterações nos procedimentos de assistência.
A unidade hospitalar descreveu o episódio como uma “situação de partir o coração” e garantiu que estava a analisar todos os aspectos do atendimento prestado para reforçar a qualidade dos cuidados médicos.
Apesar do comunicado, o hospital recusou-se a fornecer mais detalhes sobre o caso.
Pais poderão ser acusados de negligência
De acordo com a Associated Press, os pais da criança poderão enfrentar acusações de negligência devido às circunstâncias em que o menino foi encontrado.
Os documentos mencionam que havia um forte odor a canábis no interior da residência. Também indicam que todas as portas da casa estavam abertas, circunstância que poderá ter permitido à criança chegar à piscina sem supervisão.
Segundo o relatório, foram os próprios pais que contactaram os serviços de emergência, informando que o filho tinha caído à água e que já o tinham retirado da piscina. Na chamada, comunicaram igualmente que a criança estava inconsciente.
As circunstâncias descritas estão a ser consideradas no âmbito da análise do caso, embora a possibilidade de acusação não signifique que os pais tenham sido formalmente condenados por qualquer crime.
Advogado do médico afirma que existem mais elementos por esclarecer
O médico que declarou o óbito também está no centro das atenções devido às circunstâncias em que a criança foi posteriormente encontrada viva.
O advogado do profissional afirmou que existem outros elementos relevantes que ainda não foram tornados públicos, tanto do ponto de vista factual como médico.
“Há muito mais neste caso, tanto factual quanto médico, do que foi dito até ao momento”, declarou o advogado, citado pela Associated Press.
A defesa considera, assim, que a situação não deve ser avaliada apenas com base nas informações divulgadas até agora.
Família criou campanha para ajudar nas despesas médicas
Em Fevereiro de 2026, a família da criança criou uma página na plataforma GoFundMe para angariar dinheiro destinado a ajudar a suportar as despesas médicas.
Na ocasião, os familiares informaram que o menino precisaria de realizar terapia intensiva, embora os detalhes completos sobre o seu estado clínico não tenham sido divulgados na informação disponibilizada.
O caso voltou a chamar a atenção para a ocorrência de situações em que pessoas declaradas mortas são posteriormente encontradas com sinais de vida.
A Associated Press refere que estes episódios são raros, mas podem acontecer. Segundo uma médica legista citada pela agência, situações deste género são mais frequentemente observadas em pessoas idosas do que em crianças.
As circunstâncias exactas que levaram à declaração inicial do óbito e à descoberta posterior da criança a respirar continuam a levantar questões sobre o atendimento prestado e os procedimentos adoptados naquela unidade hospitalar.
Fonte: Associated Press (AP), citada pelo Notícias ao Minuto.
