O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o Comité Norueguês do Nobel depois de o Prémio Nobel da Paz de 2026 ter sido atribuído à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, antiga presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda. Numa publicação partilhada na rede social Truth Social, o governante republicou uma mensagem que considera que a escolha da vencedora prejudicou gravemente a reputação do comité e defende que o prémio deveria ter sido entregue ao próprio Trump.
“Hoje, o Comité Nobel envergonhou irremediavelmente a sua própria reputação e rebaixou o outrora grandioso Prémio Nobel da Paz ao atribuí-lo a Navi Pillay”, refere a publicação partilhada pelo Presidente norte-americano.
A mensagem, originalmente publicada por um utilizador identificado como Schoenlaw, acusa Pillay de ser uma “assumida inimiga dos Estados Unidos e de Israel”, alegando ainda que a jurista “celebrou terroristas e recompensou o Hamas”.
O autor da publicação também criticou a comissão das Nações Unidas liderada por Pillay, afirmando que esta conduziu uma investigação que classificou como falsa, na qual concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza e defendeu que o país fosse levado a tribunal.
“Não tem credibilidade em nenhum meio minimamente sério e nunca fez absolutamente nada para promover a paz”, acrescentou o utilizador, numa crítica reproduzida por Trump.
Publicação defende que Trump merecia o Nobel da Paz
Na mesma mensagem, o utilizador elogiou as iniciativas diplomáticas do Presidente norte-americano, argumentando que Donald Trump deveria ter recebido a distinção.
Segundo a publicação, Trump “proporcionou os acordos de Abraão, que o mundo considerava impossíveis”, além de ter contribuído para o regresso dos reféns israelitas quando a situação parecia não ter solução.
O texto também afirma que o líder norte-americano está a fazer esforços para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, travar o Irão, que descreve como “o principal patrocinador do terrorismo internacional”, e promover a reconstrução da Faixa de Gaza, apesar das tentativas de grupos terroristas de controlar o território.
A mensagem termina defendendo que estas iniciativas correspondem precisamente ao tipo de acções que o Prémio Nobel da Paz pretende reconhecer e recompensar.
As afirmações sobre Navi Pillay e o desempenho de Donald Trump fazem parte da publicação republicada pelo Presidente norte-americano e representam as opiniões e alegações do seu autor.
Navi Pillay recebe o Nobel da Paz de 2026
O Comité Norueguês do Nobel anunciou esta sexta-feira, 9 de Outubro de 2026, a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Navanethem “Navi” Pillay, jurista sul-africana de 85 anos e antiga presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.
De acordo com o presidente do comité, Jørgen Watne Frydnes, a distinção reconhece os esforços de Pillay na promoção da paz e do direito internacional.
A jurista exerceu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, liderou uma comissão da ONU encarregada de investigar violações dos direitos humanos em Israel e nos territórios palestinianos.
A comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza, uma conclusão que se tornou um dos pontos de contestação mencionados na publicação republicada por Trump.
Comité Nobel destaca importância do direito internacional
Durante o anúncio da distinção, Jørgen Watne Frydnes afirmou que o prémio pretende chamar a atenção para a importância das instituições internacionais de justiça num período marcado pelo aumento das guerras e dos conflitos e por ataques políticos contra juízes e organismos de direito internacional.
O responsável sublinhou que a possibilidade de resolver conflitos sem recorrer à força ou à violência depende do respeito pelo Estado de Direito internacional.
Acrescentou ainda que um sistema jurídico internacional capaz de responsabilizar os autores de crimes de guerra e garantir justiça às vítimas de abusos constitui uma condição essencial para alcançar um mundo pacífico.
Uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos
Navi Pillay cresceu na África do Sul durante o regime de segregação racial do apartheid e tornou-se uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a exercer advocacia no país.
Ao longo da sua carreira, destacou-se pela defesa de activistas contrários ao apartheid e pelo trabalho desenvolvido no campo dos direitos humanos.
Enquanto juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, contribuiu para estabelecer um marco jurídico internacional que reconhece a violação sexual como um acto de genocídio e um crime de guerra.
Sucessora de María Corina Machado
Navi Pillay sucede à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2025.
Machado foi distinguida pelos seus “esforços incansáveis” na promoção dos direitos humanos e das liberdades na Venezuela, bem como pelo seu trabalho em prol de uma transição “justa e pacífica” da ditadura para a democracia.
A decisão de atribuir o prémio a Pillay desencadeou críticas republicadas por Donald Trump, reacendendo o debate sobre os critérios da distinção e o papel das instituições internacionais na defesa dos direitos humanos e na resolução de conflitos.
Fonte: Notícias ao Minuto.
