Incêndio no Serviço de Oncologia do HCM representa um retrocesso para o país, afirma ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Ussene Isse, considera que o incêndio que deflagrou, este domingo, no Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM) representa um grande retrocesso para o país, sobretudo numa altura em que Moçambique vinha registando progressos na expansão da cobertura dos cuidados de saúde destinados aos doentes com cancro.
Falando no local do incidente, o governante reconheceu a gravidade da situação, mas sublinhou que a principal preocupação das autoridades foi garantir a segurança dos pacientes e a continuidade dos tratamentos. Segundo explicou, todos os doentes foram retirados em segurança e transferidos para outra enfermaria, onde deverão continuar a receber assistência médica.
“O mais importante é a continuidade dos serviços e nós estamos preparados e tudo faremos para que ninguém fique para trás e ninguém tenha falta de medicamentos nesta área da oncologia”, garantiu Ussene Isse.
O ministro acrescentou que as entidades competentes deverão avaliar os estragos e produzir um relatório sobre os danos, de modo a definir as medidas necessárias para a rápida recuperação dos serviços afectados.
Por sua vez, a directora-geral do Hospital Central de Maputo, Farida Urci, explicou que o incêndio foi detectado por volta das 7h10, depois de uma enfermeira que se encontrava de serviço ter sentido cheiro a fumo. Ao procurar identificar a origem, a profissional deparou-se com uma situação mais grave, acompanhada de pequenas explosões.
A enfermeira alertou imediatamente os pacientes, o que permitiu retirar todos os doentes internados na enfermaria antes que as chamas se propagassem. Farida Urci assegurou que não houve vítimas mortais e revelou que, até à noite de sábado, a unidade hospitalar acompanhava 22 pacientes internados.
Quanto aos prejuízos materiais, a directora-geral considerou ser ainda cedo para apresentar uma avaliação, uma vez que será necessário aguardar pelas investigações e pelo levantamento dos danos. A responsável prevê que, na próxima semana, seja possível obter uma estimativa mais precisa dos custos e da dimensão das perdas.
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, também classificou o incêndio como uma tragédia para o país, tendo em conta que os serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo são os únicos do género e prestam assistência a milhares de doentes.
Manhique manifestou solidariedade para com a unidade hospitalar e defendeu uma intervenção urgente do Governo para restabelecer os serviços, recorrendo aos recursos internos e ao apoio dos parceiros de cooperação.
O edil lamentou ainda que o fogo tenha atingido um sector que, segundo afirmou, já enfrentava dificuldades de funcionamento, devido à falta de medicamentos e de condições adequadas para o atendimento. Apesar disso, destacou que, perante a ocorrência, a prioridade foi salvar vidas, deixando a avaliação dos prejuízos materiais para uma fase posterior.
O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) confirmou que o incêndio começou no interior do edifício da Oncologia e, posteriormente, alastrou-se para a parte exterior. De acordo com os bombeiros, as chamas destruíram completamente a parte superior do edifício, mas a intervenção rápida das equipas de socorro evitou que o fogo alcançasse outros compartimentos.
Já a parte térrea, onde funciona o serviço de Radioterapia, não foi atingida. Segundo as informações divulgadas, não foram registados danos nos equipamentos nem nos materiais daquela área.
As causas do incêndio continuam por esclarecer. Está prevista a realização de uma avaliação técnica para determinar as circunstâncias em que o fogo teve início.
Fonte: O País.
