A velocidade a que uma pessoa caminha pode fornecer informações importantes sobre o seu estado geral de saúde e até ajudar a prever a sua longevidade. Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open concluiu que caminhar a um ritmo mais rápido está associado a um menor risco de morte.
A investigação sugere que a forma como uma pessoa se desloca a pé pode revelar mais sobre a sua condição física do que se imagina, uma vez que a caminhada envolve diferentes sistemas do organismo.
Caminhar mais depressa pode estar associado a uma vida mais longa
O estudo acompanhou mais de quatro mil pessoas, com uma idade média de 69 anos, com o objectivo de avaliar a relação entre a velocidade da caminhada e o risco de morte ao longo do tempo.
Os investigadores submeteram os participantes a um teste em que deveriam caminhar ao seu ritmo habitual. Além disso, acompanharam os seus movimentos durante as actividades diárias ao longo de nove dias.
A investigação teve uma duração de 12 anos. Os resultados indicaram que as pessoas que caminhavam mais depressa, tanto durante o teste como nas actividades do dia-a-dia, apresentavam um risco menor de morte.
Em declarações à Fox News, Beth Templin, da HouseFit Physical Therapy & Fitness, explicou que, na fisioterapia, a velocidade da marcha é considerada o «sexto sinal vital», por representar uma avaliação do funcionamento conjunto dos vários sistemas do organismo.
Segundo a especialista, caminhar a um ritmo acelerado exige pernas fortes, coração e pulmões saudáveis, bom equilíbrio, além de um cérebro e sistema nervoso capazes de coordenar todos esses processos.
Diminuição da velocidade pode ser um sinal de alerta
Beth Templin alertou que a redução da velocidade da caminhada pode indicar, numa fase inicial, que algum dos sistemas do organismo está a apresentar dificuldades, por vezes antes de surgirem alterações detectáveis através de exames laboratoriais.
Por isso, melhorar a velocidade da marcha pode contribuir para a manutenção da saúde. A especialista defende que não basta aumentar a quantidade de caminhadas, sendo igualmente importante desenvolver força muscular e equilíbrio.
«Construa o motor, não apenas o hábito. A maioria das pessoas tenta caminhar mais, mas a velocidade vem da força e do equilíbrio», aconselhou.
Entre os exercícios simples recomendados estão levantar-se de uma cadeira sem utilizar as mãos e elevar os calcanhares com o apoio de uma bancada.
Outra sugestão consiste em acelerar o passo ocasionalmente, procurando aumentar a velocidade de forma gradual ao longo do tempo.
Especialista pede cautela na interpretação dos resultados
Apesar das conclusões, Beth Templin considera que são necessárias mais investigações para confirmar os resultados e aprofundar a compreensão da relação entre a velocidade da caminhada e a saúde.
A especialista sublinhou que o estudo identificou uma associação, mas não demonstrou que caminhar rapidamente, por si só, seja responsável por prolongar a vida.
Templin observou ainda que os participantes incluídos na investigação eram, em geral, mais saudáveis do que o grupo populacional mais amplo.
Acrescentou também que não existe um método único e padronizado para medir a velocidade da caminhada diária através de dispositivos usados no pulso.
Deste modo, embora caminhar mais depressa possa estar associado a melhores indicadores de saúde e a um menor risco de morte, os resultados devem ser interpretados com cautela.
Fonte: Adriano Guerreiro, artigo publicado a 2 de Novembro de 2026. Declarações de Beth Templin à Fox News. Estudo publicado na JAMA Network Open.
