Governo estuda integrar vítimas da xenofobia em megaprojetos e empregos no exterior

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou que o Governo está a avaliar medidas para integrar cidadãos moçambicanos afetados pela xenofobia na África do Sul em megaprojetos em curso no país e em oportunidades de emprego no estrangeiro, ao abrigo de acordos de cooperação internacional, como forma de responder ao desafio do desemprego.

Falando no sábado, durante uma conferência de imprensa de balanço da sua visita à Tanzânia, o Chefe de Estado explicou que uma das alternativas passa pela integração dos cidadãos regressados nos grandes projetos de investimento que decorrem em Moçambique.

Segundo Daniel Chapo, o projeto de Gás Natural Liquefeito (LNG) da TotalEnergies, em Rovuma, retomou as suas atividades e emprega atualmente mais de 7.000 trabalhadores, dos quais mais de 5.000 são moçambicanos. O Presidente afirmou que, à medida que o projeto crescer, deverá absorver mais mão de obra nacional.

O estadista acrescentou que o Governo trabalha igualmente para que a decisão final de investimento da ExxonMobil, prevista para setembro, permita criar novas oportunidades de emprego para moçambicanos, reforçando o número de postos de trabalho nos projetos energéticos em desenvolvimento.

Além da integração no mercado interno, Daniel Chapo destacou a existência de acordos de mobilidade laboral com Portugal e os Emirados Árabes Unidos, além do tradicional acordo com a África do Sul.

Relativamente a Portugal, explicou que os acordos de cooperação já possibilitaram o envio de 800 moçambicanos para trabalhar naquele país europeu e que está em preparação o destacamento de mais 300 jovens.

Segundo o Presidente, esta poderá ser uma oportunidade para cidadãos regressados da África do Sul que já possuem experiência em profissões como carpintaria, eletricidade, alvenaria, canalização e outras áreas técnicas.

Quanto aos Emirados Árabes Unidos, Daniel Chapo revelou que 15 jovens foram enviados para avaliação profissional. Em menos de um mês, dois já foram promovidos ao cargo de supervisores de construção devido ao elevado nível de competências demonstrado, enquanto outros três continuam em processo de avaliação para assumirem funções semelhantes.

O Chefe de Estado afirmou ainda que o Governo está a criar uma base de dados dos cidadãos regressados, permitindo identificar as suas qualificações e facilitar a integração tanto em empregos em Moçambique como nos países com os quais existem acordos de cooperação laboral.

Na sequência dos recentes episódios de violência contra estrangeiros na África do Sul, o Governo moçambicano reforçou as operações de assistência consular e de repatriamento, acompanhando a situação através das representações diplomáticas e consulares naquele país.

Nos últimos dias, manifestantes sul-africanos contrários à imigração lançaram um ultimato para que cidadãos estrangeiros deixassem o país até 30 de junho, enquanto as autoridades sul-africanas anunciaram novas restrições migratórias e o reforço das medidas de segurança.

Como resultado, Moçambique recebeu recentemente mais 65 cidadãos repatriados.

Na quarta-feira, Daniel Chapo reconheceu o agravamento dos atos de xenofobia na África do Sul e assegurou que o país dispõe de condições logísticas para acolher e prestar assistência às vítimas.

Segundo dados do Governo, pelo menos 283 moçambicanos foram vítimas da mais recente vaga de ataques xenófobos, tendo sofrido agressões, incêndios das suas residências e destruição dos seus bens.

No dia seguinte, o Presidente informou ainda que 38 cidadãos moçambicanos, que residiam legalmente na África do Sul, foram agredidos e expulsos das suas casas durante os ataques.

Estima-se que cerca de 300 mil moçambicanos residam atualmente na África do Sul. De acordo com a Presidência da República, milhares já regressaram ao país devido à violência registada.

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