ANAMOLA pede esclarecimentos públicos à COTE e questiona atraso no Diálogo Nacional Inclusivo

O partido ANAMOLA, liderado por Venâncio António Bila Mondlane, submeteu um ofício dirigido ao presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE), Edson da Graça Macuácua, solicitando esclarecimentos públicos sobre o alegado incumprimento do cronograma definido para o processo do Diálogo Nacional Inclusivo.

No documento, datado de 6 de julho de 2026 e identificado como Ofício n.º NAC-PRES/120/2026, o partido manifesta preocupação com o que considera ser um atraso significativo na implementação das diferentes etapas previstas pela Lei n.º 1/2025, de 11 de Abril, que instituiu o Diálogo Nacional Inclusivo.

Segundo o ANAMOLA, o cronograma elaborado pela própria COTE previa que a Primeira Etapa, correspondente à auscultação pública, revisão da literatura e estudo do direito comparado, fosse concluída entre setembro e novembro de 2025. No entanto, o partido afirma que, em julho de 2026, o processo ainda se encontrava nessa fase, apesar de o calendário indicar que os trabalhos já deveriam estar na Quarta Etapa, dedicada à construção de consensos e elaboração de propostas de acordo.

Como fundamento da sua posição, o ANAMOLA refere um convite público emitido pela COTE em 2 de julho de 2026, para cobertura jornalística de uma audiência pública na Escola Secundária Francisco Manyanga, na cidade de Maputo, documento que, segundo o partido, demonstra que a fase de auscultação pública ainda não havia sido concluída.

Perante este cenário, o partido apresentou um conjunto de questões dirigidas à Comissão Técnica.

Em primeiro lugar, solicita que sejam explicadas as causas concretas, documentadas e verificáveis para o atraso na conclusão da primeira etapa do processo.

O ANAMOLA questiona igualmente a razão de a COTE estar, segundo afirma, a dedicar tempo e recursos à discussão de matérias consideradas alheias ao espírito da Lei n.º 1/2025, apontando como exemplo propostas relacionadas com a legalização da poligamia, em detrimento de temas que considera centrais, como a reforma eleitoral, a revisão constitucional e a reconciliação nacional.

Outra preocupação apresentada prende-se com declarações públicas atribuídas a membros da Comissão sobre matérias como a criminalização da autoproclamação de vitória eleitoral. O partido entende que divulgar conclusões antes do encerramento das audições públicas poderá inverter a lógica do diálogo e transmitir a ideia de que determinadas decisões já estariam previamente definidas, independentemente das contribuições recolhidas junto da população.

No documento, o ANAMOLA critica ainda a metodologia adotada pela COTE relativamente aos chamados três cenários de reforma do Estado — continuidade, reforma moderada e reforma profunda.

Segundo o partido, estes cenários apenas foram apresentados publicamente depois de concluída, ou em fase de conclusão, a recolha de contribuições junto dos cidadãos e da diáspora. Na sua perspetiva, essa estrutura metodológica deveria ter sido divulgada desde o início do processo, permitindo que os participantes conhecessem previamente os critérios utilizados para enquadrar e sistematizar as suas propostas.

O partido sustenta que a introdução tardia desses critérios poderá reduzir a transparência do processo e conferir à Comissão uma margem de discricionariedade na classificação das contribuições recebidas.

Outra questão levantada refere-se às garantias de cumprimento do prazo legal previsto para a conclusão do Diálogo Nacional Inclusivo. O ANAMOLA pergunta de que forma a COTE assegura que, mantendo-se o ritmo atual, as propostas consolidadas poderão ser submetidas ao Presidente da República e à Assembleia da República até abril de 2027, conforme estabelece a Lei n.º 1/2025.

O documento manifesta igualmente preocupação quanto ao impacto do atraso na preparação das eleições autárquicas de 2028. O partido questiona se haverá tempo suficiente para que a nova composição da Comissão Nacional de Eleições, a definição da data do sufrágio e toda a organização do processo eleitoral sejam realizadas com base nas reformas resultantes do diálogo, e não antes da sua conclusão.

O ANAMOLA afirma que o conjunto de atrasos, associado ao tratamento antecipado de matérias ainda não integralmente auscultadas e à introdução tardia dos critérios metodológicos, poderá comprometer a integridade do processo e alimentar dúvidas sobre a possibilidade de adiamento das eleições autárquicas para 2029, hipótese que considera contrária ao espírito e à letra do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo.

Na parte final do ofício, o partido defende que os cidadãos que participaram nas audições públicas merecem uma explicação clara, pública e fundamentada sobre as razões dos atrasos e sobre o momento em que os três cenários de reforma foram definidos.

Por isso, solicita formalmente ao presidente da COTE que apresente, dentro de um prazo considerado razoável, esclarecimentos públicos e circunstanciados sobre todas as questões levantadas, em respeito ao princípio da transparência previsto na Lei n.º 1/2025.

O documento é assinado pelo presidente do ANAMOLA, Eng.º Venâncio António Bila Mondlane, e dirigido ao presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Prof. Doutor Edson da Graça Macuácua.

Outras Notícias do Autor

Quatro menores ficam abandonados após desaparecimento de mulher que os levou para trabalhar em Quelimane

Homem acusa pastor de destruir o seu casamento por alegado relacionamento com a esposa em Chimoio

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *