As autoridades moçambicanas identificaram fortes indícios de utilização de agências de viagens e turismo em alegados esquemas de branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal, após detetarem a movimentação de cerca de 805,5 milhões de euros num período de três anos.
A informação consta de um Relatório de Análise Estratégica do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM), citado pela agência Lusa.
Segundo o documento, empresas do setor do agenciamento de viagens e turismo receberam e movimentaram elevadas quantias, sobretudo através de depósitos em numerário. Posteriormente, esses valores eram transferidos para contas bancárias em Moçambique tituladas por uma “organização internacional”, não identificada, a partir das quais os fundos eram encaminhados para o estrangeiro.
O relatório refere que, entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, as empresas envolvidas realizaram transações de avultadas somas monetárias de forma fracionada, recorrendo a depósitos em dinheiro e transferências bancárias.
De acordo com o GIFiM, os depósitos em numerário atingiam, em média, 24 milhões de meticais por dia, valor equivalente a cerca de 331,8 mil euros, antes de serem transferidos para as contas da referida organização internacional.
O gabinete aponta ainda que várias agências de viagens e turismo utilizaram contas bancárias pessoais de trabalhadores, incluindo gestores seniores, para efetuar pagamentos de valores elevados destinados às contas bancárias das próprias empresas.
Segundo o relatório, essas operações eram apresentadas como estando, alegadamente, relacionadas com a atividade operacional das respetivas agências.
O GIFiM considera que os factos identificados constituem fortes indícios de práticas relacionadas com branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal, mantendo a análise sobre as operações financeiras realizadas no setor.
