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População contesta instalação de estaleiro da Fábrica de Explosivos em Ancuabe

Cabo Delgado – Centenas de residentes da sede da Localidade de Salaue, também conhecida por Silva Macua, no Posto Administrativo de Metoro, distrito de Ancuabe, sul da província de Cabo Delgado, manifestaram-se esta segunda-feira contra a instalação de um estaleiro pertencente à Fábrica de Explosivos de Moçambique (FEM).

Os manifestantes alegam que o empreendimento está a ser construído numa área onde a população possui propriedades, sobretudo machambas, e contestam a forma como o processo de instalação está a decorrer.

Durante o protesto, que reuniu centenas de pessoas, os residentes afirmaram que não foram informados previamente sobre a instalação do estaleiro, nem sobre as actividades que serão desenvolvidas no local ou os possíveis benefícios económicos e sociais associados ao empreendimento.

Além da alegada falta de informação, os moradores de Silva Macua dizem que nunca foi realizada uma consulta comunitária ou qualquer processo de auscultação da população relacionado com a instalação do empreendimento.

População diz ter sido surpreendida pelas obras

Segundo os manifestantes, a população apenas começou a tomar conhecimento da intervenção quando trabalhadores da empresa começaram a limpar a área destinada ao empreendimento, sem que os residentes tivessem sido previamente informados.

A situação terá gerado preocupação entre os proprietários das áreas abrangidas, principalmente aqueles que possuem machambas no local.

Entretanto, o Chefe da Localidade de Salaue, Nacire Rachide, apresentou uma versão diferente sobre a manifestação e sobre a origem das reivindicações.

Em declarações à Carta de Moçambique, o responsável reconheceu que a área onde o empreendimento está a ser instalado pertence à localidade de Salaue, mas afirmou que as pessoas que estão a reivindicar indemnizações são residentes da localidade vizinha de Metoro.

“Aqui, na comunidade de Salaue, não há registo de manifestação. Estes são elementos de Metoro que têm algumas áreas e machambas nessa zona. Portanto, a área é de Salaue, mas são populares de Metoro que exigem indemnização”, explicou Nacire Rachide.

Chefe da localidade nega conflito com a FEM

O responsável local assegurou ainda que não existe qualquer conflito entre a comunidade de Salaue e a Fábrica de Explosivos de Moçambique.

Nacire Rachide também afirmou não existir conflito entre a comunidade e o projecto da futura fábrica de cimento, que deverá ser construída na mesma zona.

A contestação surge, assim, num contexto de instalação de novos empreendimentos na região, enquanto parte da população reivindica esclarecimentos sobre a ocupação das áreas onde possui propriedades e machambas, bem como sobre eventuais indemnizações.

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