Jovem formado em professorado denuncia burla de 60 mil meticais com promessa de emprego no Estado em Nampula
Um jovem de 32 anos, residente no bairro de Mutauanha, acusa o próprio tio de o ter enganado com a promessa de uma vaga no aparelho do Estado, no distrito de Mogovolas. O caso remonta a 2023, mas, até ao momento, o emprego não se concretizou e o dinheiro ainda não foi devolvido.
Nampula – Um jovem de 32 anos, formado em professorado em 2023, denuncia ter sido vítima de uma alegada burla de 60 mil meticais, após receber a promessa de ingresso no aparelho do Estado, no distrito de Mogovolas, província de Nampula.
Residente no bairro de Mutauanha, na periferia da cidade de Nampula, o jovem contou ao jornal Ikweli que entregou o dinheiro na expectativa de conseguir uma vaga no sector público, que, segundo lhe foi dito, estaria disponível naquele distrito.
De acordo com o seu relato, tudo começou depois de concluir a formação, em 2023, quando o tio, que trabalha em Mogovolas, lhe informou da existência de oportunidades de emprego e garantiu que bastava reunir determinado valor para facilitar o processo de contratação.
“Tudo começou depois de terminar a formação, em 2023. O meu tio disse que, no distrito [Mogovolas] em que trabalha, existiam vagas e que eu precisava apenas de ter um valor para facilitar o processo. Sem receio, porque se tratava de alguém que eu realmente conhecia, juntei as minhas economias e entreguei, com esperança de ver o meu sonho tornar-se realidade”, relatou a vítima.
No entanto, apesar da entrega dos 60 mil meticais, a promessa de emprego nunca se concretizou.
Promessa continua por cumprir e dinheiro não é devolvido
O jovem explicou que, mesmo depois de passar mais um ano, em 2025, continuava sem conseguir o tão esperado emprego. A situação prolongou-se até 2026, sem que a vaga prometida se tornasse realidade.
Segundo a vítima, a situação tornou-se ainda mais preocupante porque o alegado responsável pela promessa não demonstra intenção de devolver o dinheiro recebido.
“Já pedi a devolução do valor ao meu tio, mas ele diz que tenho de esperar”, acrescentou.
Enquanto aguarda uma solução para o caso e a concretização da oportunidade de emprego que lhe foi prometida, o jovem recorre à realização de pequenos negócios para assegurar a sua sobrevivência.
Jovem alerta para o risco de burlas relacionadas com emprego
Perante a experiência que relata, o jovem apela aos outros jovens para que procurem desenvolver actividades produtivas e não dependam exclusivamente de oportunidades de emprego formal, sobretudo quando estas envolvem promessas que exigem pagamentos antecipados.
Na sua perspectiva, o desespero de conseguir uma vaga no aparelho do Estado tem deixado muitos jovens vulneráveis a situações semelhantes.
“Muitos jovens têm sofrido este tipo de burla, tudo por conta do desespero de conseguir um emprego no aparelho do Estado. Infelizmente, há muitos jovens formados que ficam sentados nos bairros, alguns acabando por se marginalizar, porque pouco têm o espírito de empreendedorismo”, advertiu.
O caso foi divulgado pelo Ikweli, numa reportagem assinada por Fátima Mugaveia, que chama a atenção para os riscos associados às promessas de emprego e para a importância de os jovens procurarem alternativas de geração de rendimento.
