O senador e candidato derrotado à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, afirmou que não vai reconhecer os resultados do segundo turno das eleições e anunciou que recorrerá à Justiça para pedir a anulação do escrutínio. O candidato contestou a decisão que prolongou o horário de votação, apesar de a medida ter sido solicitada por ambas as candidaturas.
Flávio Bolsonaro (PL) fez o anúncio na noite de domingo, 25 de Outubro de 2026, depois de perder o segundo turno das eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos.
O senador justificou a sua posição com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que determinou o prolongamento do horário de votação. A medida foi tomada em resposta a um pedido apresentado pelas duas candidaturas, incluindo a campanha do próprio Flávio Bolsonaro.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal”, declarou o candidato.
A declaração foi feita durante um pronunciamento à imprensa, ao lado de apoiantes, em frente ao quartel-general da sua campanha, em Brasília.
Flávio Bolsonaro considera decisão inaceitável
Durante a intervenção, o candidato derrotado classificou os acontecimentos do segundo turno como inaceitáveis e criticou a actuação do ministro Cristiano Zanin.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo”, afirmou.
Flávio Bolsonaro referiu que, às 17h01, o ministro Zanin, que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomou uma decisão que, segundo o candidato, passou por cima da Justiça Eleitoral especializada ao determinar a extensão do período de votação por mais duas horas.
“Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, acrescentou.
O senador não fez referência aos mais de 59 milhões de votos que recebeu nas eleições e deixou o local sem responder às perguntas dos jornalistas.
Por que o horário de votação foi prolongado?
A decisão de Cristiano Zanin foi tomada em regime de urgência, depois de relatos considerados graves sobre dificuldades no transporte de eleitores, sobretudo em municípios da Bahia e na cidade de São Paulo.
A determinação foi anunciada perto das 17h, hora inicialmente prevista para o encerramento da votação, e estabeleceu, num primeiro momento, a extensão do horário em todas as secções eleitorais até às 19h.
Posteriormente, depois de receber informações do Tribunal Superior Eleitoral de que várias urnas já tinham sido encerradas, o ministro esclareceu que a prorrogação deveria abranger apenas as secções que ainda se encontravam abertas.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais eleitorais a manterem essas secções em funcionamento até às 19h. Já os votos registados nas urnas que tinham sido encerradas antes da decisão seriam contabilizados normalmente.
Apesar de a prorrogação ter sido solicitada por ambas as candidaturas, Flávio Bolsonaro contestou a medida e anunciou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular as eleições.
Fonte: Agência Brasil.
