A rede social Facebook suspendeu a conta de Jacinta Ngobese-Zuma, fundadora e líder do movimento March and March, na sequência de uma alegada violação dos Padrões da Comunidade relacionados com a solicitação sexual de adultos.
A suspensão entrou em vigor no dia 6 de Novembro de 2026, impedindo que a conta da activista continue visível para outros utilizadores da plataforma, bem como o seu acesso à mesma.
Numa notificação enviada à responsável, a Facebook informou que dispõe de um prazo de 180 dias para apresentar um recurso contra a decisão. Caso não consiga reverter a suspensão dentro desse período, a conta poderá ser desactivada permanentemente.
A plataforma também indicou que poderá solicitar informações adicionais à activista para ajudar na análise do caso. Segundo a comunicação, a medida foi tomada após a identificação de actividades na conta que alegadamente não respeitaram as regras relativas à solicitação sexual de adultos.
March and March reage à suspensão
O movimento March and March confirmou, neste sábado, que a página da sua líder na Facebook foi retirada da plataforma.
Numa declaração atribuída ao porta-voz da organização, Sandile Dube, o movimento afirmou que já tinha tomado conhecimento da suspensão e garantiu que continuará a manter contacto com os seus apoiantes através da página oficial do March and March na mesma rede social.
A organização explicou que Jacinta Ngobese-Zuma recorrerá a essa plataforma alternativa para continuar a informar os sul-africanos enquanto a situação estiver a ser resolvida.
“Vamos divulgar o nosso comunicado à imprensa dentro de pouco tempo”, afirmou Sandile Dube.
Quem é Jacinta Ngobese-Zuma?
Jacinta Ngobese-Zuma é fundadora e dirigente do March and March, um movimento controverso que se posiciona contra a imigração ilegal e tem ganhado visibilidade através de manifestações que exigem um controlo mais rigoroso das fronteiras e a prioridade dos cidadãos sul-africanos no acesso a oportunidades e serviços.
Numa entrevista concedida ao jornal IOL em Junho, Ngobese-Zuma apresentou-se como antiga apresentadora de rádio, activista, esposa, mãe, estudante de Direito e agricultora.
Nos últimos meses, o movimento esteve envolvido em várias disputas judiciais relacionadas com as suas actividades.
Em Outubro, o Tribunal Superior de Durban emitiu uma decisão provisória que impõe restrições ao March and March e aos seus dirigentes, proibindo comportamentos violentos, intimidação e outras práticas relacionadas com as manifestações promovidas pela organização.
A decisão surgiu na sequência de uma providência urgente apresentada pelo ministro da Polícia, Firoz Cachalia, e pelo comissário da Polícia de KwaZulu-Natal, tenente-general Nhlanhla Mkhwanazi.
O movimento também esteve recentemente no centro das atenções devido a alegadas ameaças divulgadas na Internet contra a sua líder.
Ainda em Outubro, Jacinta Ngobese-Zuma apresentou uma queixa policial depois de uma publicação alegadamente partilhada no Facebook ter apelado à sua violação sexual e morte.
Na ocasião, a Comissão Sul-Africana dos Direitos Humanos e o Congresso Nacional Africano (ANC) condenaram as declarações atribuídas à publicação.
A suspensão da conta da activista acontece num momento em que o March and March enfrenta uma crescente atenção pública e institucional devido às suas actividades e manifestações.
Até ao momento, a Facebook não apresentou publicamente esclarecimentos adicionais sobre o caso, além do motivo indicado na notificação enviada à dirigente do movimento.
