Nampula — A Administração Regional de Águas do Norte (AdRN), em Nampula, volta a ser centro de controvérsias. Um grupo de trabalhadores tem vindo a denunciar diversas irregularidades, com destaque para a estagnação nas carreiras, falta de pagamento de horas extras, assistência médica desigual e deficiências em matéria de higiene e segurança no trabalho.
De acordo com um documento de cinco páginas enviado ao sindicato SINTICIM — que representa os trabalhadores da construção civil, madeiras e minas — os funcionários da área operacional de Nampula manifestam insatisfação com o que consideram serem práticas de desvalorização da força laboral.
Entre as principais reclamações constam o não pagamento de horas extraordinárias, substituídas por folgas, tratamento discriminatório no acesso a cuidados de saúde, a exclusão de pais e ascendentes do pacote de assistência médica e a precariedade dos equipamentos de protecção individual (EPI).
“É fundamental que haja critérios transparentes para o pagamento de trabalho noturno e aos fins de semana, como forma de reconhecimento e motivação”, refere o documento. Os trabalhadores também criticam a actual direcção por, alegadamente, não investir na compra de equipamentos de protecção, como botas e coletes adequados ao serviço, colocando em risco a saúde e integridade física dos colaboradores.
Em resposta às denúncias, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da AdRN, Francisco Napica, afirmou que muitos dos pontos levantados já foram discutidos e resolvidos em encontros com o sindicato. “A maioria das preocupações já foi abordada, por isso, vejo estas manifestações como actos de má-fé por parte de um grupo restrito”, afirmou Napica.
Restrições à Liberdade de Imprensa
A equipa de reportagem do Ikweli que se deslocou à instituição encontrou restrições no exercício da actividade jornalística. O acesso ao gabinete do PCA foi condicionado à entrega dos telemóveis, sob a alegação de que, por razões de segurança, não seria permitido o uso de equipamentos electrónicos, incluindo para gravações.
Apesar das limitações, o essencial foi registado: Napica minimizou as queixas, dizendo desconhecer o alegado “desrespeito” citado pelos trabalhadores.
Este episódio gerou preocupações quanto à liberdade de imprensa e ao direito dos jornalistas de exercerem sua função sem restrições, em conformidade com a ética e as normas deontológicas.
O ambiente na AdRN permanece tenso, e os trabalhadores exigem um diálogo aberto e maior transparência na gestão, enquanto se aguarda uma solução que respeite os direitos laborais e promova o bom funcionamento da instituição.
