Pemba, 15 de Julho de 2025 – Grupos terroristas continuam a semear o medo nas estradas da província de Cabo Delgado, ao estabelecerem pagamentos obrigatórios como condição para permitir a circulação de pessoas e mercadorias. Um episódio alarmante foi registado no dia 12 de julho, no trecho entre Macomia e Oasse, onde barricadas foram montadas e motoristas só puderam seguir viagem após efetuarem pagamentos exigidos pelos insurgentes.
Relatos indicam que passageiros que viajavam em veículos de transporte semi-coletivo foram feitos reféns. Os motoristas foram coagidos a entregar valores que chegavam a 50.000 meticais por viatura, como condição para a libertação dos reféns e continuação da viagem.
Entre os afetados estava uma viatura pertencente aos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Ação Social de Mueda, da qual um dos ocupantes foi também sequestrado temporariamente pelo grupo armado.
Segundo testemunhos recolhidos por áudio, um dos reféns descreve o momento de terror: “Ao passarmos pela aldeia de Nantodola, percebemos um movimento estranho, mas seguimos viagem. Logo depois, deparámo-nos com um camião bloqueando a estrada. Ao tentarmos recuar, nos vimos cercados por insurgentes dos dois lados. Fomos forçados a sair do carro sob ameaça de morte”.
Ainda segundo o relato, os reféns foram levados para o mato e obrigados a ajoelhar-se, sob ameaça de execução. No entanto, a ordem final do líder dos insurgentes foi de não matar ninguém de imediato, mas exigir pagamento: “O chefe ligou para os outros e ordenou que cada motorista devia pagar 50 mil meticais, caso contrário seria degolado. Quem pagasse menos, podia ser libertado. Eu paguei 30 mil e fui deixado de lado”, contou a vítima.
Além dos valores cobrados aos motoristas, os insurgentes revistaram todos os passageiros, retirando-lhes bens pessoais e dinheiro.
Este tipo de extorsão não é um caso isolado. Na mesma semana, outro motorista de transporte de mercadorias que se dirigia a Mocímboa da Praia também foi alvo de exigências financeiras semelhantes, próximo da aldeia Chinda, na mesma região.
Fonte: Jornal Ikewli
