CHIÚRE, MOÇAMBIQUE — O presidente do Conselho Municipal de Chiúre, Alicora Ntutunha, denunciou nesta quinta-feira que o município, gerido pela RENAMO, está sendo excluído da distribuição de ajuda humanitária a deslocados. Segundo o edil, os caminhões de doações, em vez de se dirigirem à administração municipal, param diretamente na sede do partido Frelimo.
Em entrevista ao Moz24h, Ntutunha expressou a sua frustração: “Os camiões, quando vêm, param ali no Partido Frelimo. É isso que eu sei. O que é que levam? Carregam o quê? Eu não sei.” Ele garantiu que a sua administração não participa na coordenação da distribuição de alimentos e outros bens essenciais para as famílias que fogem do terrorismo.
O município de Chiúre tem acolhido milhares de pessoas que escaparam dos ataques insurgentes em Chiúre-Velho, Ocua e em outros distritos. Apesar de a administração municipal ter conhecimento da população e dos bairros que albergam os deslocados, ela não é envolvida no processo.
Críticas à Segurança Pública
Além de criticar a exclusão na gestão da ajuda, o edil também manifestou a sua insatisfação com a resposta das forças de defesa e segurança aos ataques. “Quando a população faz uma manifestação, a polícia chega logo. Mas quando há ataque, o socorro só vem depois, às vezes no dia seguinte. Isso não é socorro”, afirmou, evidenciando a sensação de desproteção da população.
Esta denúncia levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a imparcialidade na distribuição de ajuda humanitária em Cabo Delgado, um problema que pode agravar a situação das famílias que já sofrem com o conflito.
