MSF Denuncia Condições Desumanas em Acampamentos para Deslocados em Cabo Delgado

Um novo surto de violência em Cabo Delgado provocou o maior deslocamento súbito de pessoas na província nos últimos meses. Na noite de 23 de julho de 2025, um grupo armado atacou cinco aldeias no distrito de Chiúre, forçando milhares a fugir e buscar refúgio na sede do distrito.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 26 mil pessoas foram diretamente afetadas, um número que não para de crescer, já que a contagem exata dos deslocados é difícil. Este é o maior êxodo registrado desde os ataques de maio de 2024, em Macomia.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) está no terreno, prestando assistência direta. A coordenadora médica da MSF em Moçambique, Ana Isabel Rua Jaramillo, descreveu o cenário encontrado como desumano. Em nota enviada à imprensa, ela destacou que famílias inteiras, incluindo crianças, grávidas e idosos, estão em “acampamentos improvisados, em condições extremamente precárias”.

Condições Desumanas e Risco de Doenças

As condições nos acampamentos, com superlotação e falta de saneamento, são uma preocupação urgente. Jaramillo alertou para o risco de surtos de doenças respiratórias, de pele e transmitidas pela água. Em resposta, a MSF lançou uma ação de emergência em dois acampamentos, focada em cuidados de saúde primários, apoio psicossocial e melhoria da infraestrutura de água e saneamento, em parceria com o Ministério da Saúde.

A coordenadora lembrou que a escalada do conflito, que já dura quase uma década, compromete o acesso à saúde e agrava a crise humanitária na região. A MSF apelou às partes em conflito que “cessem os ataques contra profissionais de saúde e trabalhadores humanitários, respeitem a missão médica e instam uma resposta humanitária coordenada” para ajudar as comunidades deslocadas.

Outras Notícias do Autor

Valige Tauabo Esclarece Polêmica dos Tratores em Cabo Delgado e Defende seu Uso Rural

Mondlane aponta 2.400 milionários em Angola e critica contraste com a pobreza

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *