Casal indiano processa filho e nora por não terem um neto após seis anos de casamento

Haridwar, Índia — Um caso inusitado e polêmico vem chamando a atenção da mídia internacional: um casal indiano decidiu processar seu único filho e a nora por “assédio mental”, exigindo uma compensação milionária por não terem recebido um neto após seis anos do casamento dos dois.

Sanjeev Prasad, de 61 anos, e sua esposa Sadhana Prasad, de 57, residentes da cidade de Haridwar, no estado de Uttarakhand, apresentaram uma ação judicial contra o filho, Shrey Sagar (35), e sua esposa, Shubhangi Sinha (31), alegando que sofreram profunda frustração emocional e social pelo fato de o casal ainda não ter filhos.

Segundo os pais, eles investiram aproximadamente 20 milhões de rúpias (cerca de 257 mil dólares) ao longo dos anos na formação e no casamento do filho. Esse valor inclui o custeio do curso de aviação de Shrey nos Estados Unidos, que sozinho custou cerca de 65 mil dólares, além da compra de um carro de luxo no valor de 80 mil dólares, uma cerimônia de casamento luxuosa em um hotel cinco estrelas e uma lua de mel no exterior para o casal.

Agora, os pais exigem uma indenização de 50 milhões de rúpias (equivalente a 643 mil dólares) caso o filho e a nora não lhes deem um neto no prazo de um ano. A ação foi registrada com base em “assédio mental”, argumento jurídico que busca representar a dor emocional vivida pelos pais pela ausência de descendência.

“Tudo o que queríamos era um neto. Não nos importamos com o gênero, apenas queríamos alguém para chamar de nosso neto e que garantisse a continuidade da família”, disse o Sr. Prasad à imprensa local.

A audiência foi marcada para o dia 17 de maio de 2022, e o caso já gerou grande debate nacional e internacional sobre os limites da responsabilidade dos filhos em relação às expectativas parentais, especialmente dentro de sociedades tradicionalmente familiares como a indiana.

Especialistas apontam que, embora a legislação indiana permita que pais processem filhos adultos por abandono financeiro, é extremamente raro que uma ação judicial seja movida com base em exigências reprodutivas. O caso provocou reações acaloradas nas redes sociais, onde muitos internautas expressaram indignação, classificando a ação como “chantagem emocional legalizada”.

Por outro lado, há quem argumente que a pressão por netos reflete valores culturais profundamente enraizados em partes da Índia, onde a continuidade familiar ainda é vista como uma responsabilidade sagrada.

A decisão judicial poderá abrir precedentes perigosos ou simplesmente encerrar-se como um episódio isolado de tensão familiar. De todo modo, a história já deixou uma marca no debate sobre privacidade, escolhas pessoais e os limites das expectativas familiares.

Outras Notícias do Autor

Mondlane aponta 2.400 milionários em Angola e critica contraste com a pobreza

Hospital Central de Nampula opera sem banco de leite materno e enfrenta escassez crítica

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *