Cabo Delgado – 14 de Agosto de 2025
Moradores do distrito de Quissanga, em Cabo Delgado, denunciam um cenário de completo abandono das autoridades. A população enfrenta graves dificuldades de acesso a saúde, educação, água potável e mobilidade, enquanto os apelos feitos em diferentes ocasiões permanecem sem resposta.
Segundo relatos recolhidos pela Zumbo FM Notícias, os serviços de saúde praticamente não funcionam. Apesar da existência de infraestruturas, estas operam apenas em horário reduzido, deixando os residentes sem qualquer apoio médico à tarde, à noite ou em dias não úteis.
“Temos hospital, mas funciona como um simples posto de primeiros socorros. Se alguém ficar doente depois das 13 horas, não encontra ninguém para atender. Já aconteceu grávidas passarem mal durante a noite e recorrerem a curandeiros, porque não havia alternativa”, contou uma residente.
As dificuldades não se limitam à vila sede, estendendo-se também aos postos administrativos. Quem tenta procurar assistência fora do distrito esbarra em falta de transporte, custos elevados ou restrições de circulação noturna. “Há pessoas que morrem sem sequer conseguir chegar ao hospital do Ibo”, lamentou outro morador.
Educação em colapso
Na área da educação, a situação não é menos preocupante. De acordo com os residentes, todo o distrito conta com apenas cinco professores para atender classes da 1.ª à 12.ª. Muitos estudantes não tiveram provas trimestrais por falta de aulas regulares, e o calendário escolar está seriamente comprometido.
“Um aluno que devia ter cinco disciplinas recebe aulas de apenas duas. Assim, como poderá ser formado?”, questionou um pai de família.
Falta de água e estradas intransitáveis
Outro problema grave é a escassez de água potável. O sistema de abastecimento mais próximo fica a 17 quilómetros da vila. Famílias com recursos pagam para transportar água em camiões-cisterna, a 20 meticais por cada bidão de 20 litros. Para a maioria, que vive da agricultura de subsistência, esse custo é insustentável.
As estradas também não oferecem solução: basta a primeira chuva para o distrito ficar praticamente isolado.
Promessas sem resultados
Os moradores afirmam que as suas preocupações já foram apresentadas a dirigentes de diferentes níveis, incluindo visitas de antigos e atuais secretários de Estado. Contudo, segundo relatam, nunca houve medidas concretas para resolver os problemas.
“O governo veio, prometeu, mas até agora nada foi feito. A vida aqui continua a piorar”, desabafou um residente.
