O político moçambicano Venâncio Mondlane manifestou publicamente, na última sexta-feira, o seu total interesse em disputar novamente as eleições presidenciais em 2029. A sua candidatura estará dependente do aval dos membros do partido Anamola, força política cuja liderança ele pretende conquistar nas eleições internas agendadas para este mês.
Questionado pela agência Lusa sobre os seus planos ao liderar o partido, Mondlane — que já concorreu ao cargo de chefe de Estado no escrutínio de 2024 — esclareceu a sua postura:
”Os termos de referência e os regulamentos que orientam a escolha do candidato presidencial [da Anamola] para o escrutínio nacional serão estabelecidos pela Convenção e/ou pelo Conselho Nacional. No entanto, do ponto de vista pessoal, coloco-me à inteira disposição, caso essa seja a vontade dos militantes.”
O Processo Eleitoral e a Convenção Nacional
A liderança da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) será decidida no dia 21 de junho, na província de Nampula, por cerca de 400 delegados. O cargo é atualmente ocupado de forma interina pelo próprio Mondlane, que oficializou a sua candidatura em 2 de junho, logo após a abertura do processo de candidaturas no dia 1 do mesmo mês.
Mondlane defendeu a importância de haver concorrência no pleito interno:
”Evidentemente que seria preferível, mais competitivo, dinâmico, motivador e desafiante. Tudo isto valoriza a democracia e fomenta uma atitude de superação constante na procura de melhorias contínuas, algo que, aliás, define a minha própria postura.”
Esta eleição está integrada nos trabalhos da primeira Convenção Nacional do partido, agremiação fundada em agosto pelo político, apontado como o principal opositor ao governo moçambicano. O evento partidário decorrerá entre os dias 20 e 22 de junho, na região norte do país.
Como o órgão deliberativo, político e organizacional máximo da Anamola, a Convenção juntará dirigentes, militantes, delegados e convidados locais e estrangeiros com o intuito de discutir e deliberar sobre as principais metas políticas, estratégicas e institucionais do partido.
Agenda do Evento em Nampula
- 20 de Junho (Primeiro dia): Abertura pública e oficial do evento, contando com a presença de cerca de 400 delegados com direito a voto, além de 50 convidados nacionais e internacionais.
- 21 de Junho (Segundo dia): Debates conduzidos por oradores nacionais e internacionais sobre temas cruciais da política, economia e cultura de Moçambique e do panorama global, focando-se também nas projeções futuras do partido. Na mesma data ocorrem as votações internas para eleger o presidente do partido, os integrantes do Conselho Nacional e a Comissão Executiva.
- Encerramento: Ratificação das nomeações para as presidências dos conselhos nacionais de jurisdição e de fiscalização, bem como dos membros da comissão de ética.
Contexto Político em Moçambique
O calendário eleitoral de Moçambique prevê a realização de eleições autárquicas em 2028, seguidas por eleições gerais em 2029.
Vale recordar que o último sufrágio geral, realizado a 9 de outubro de 2024, desencadeou um período de cinco meses de fortes protestos e contestação social liderados por Venâncio Mondlane, em oposição aos resultados divulgados. Esse período de instabilidade resultou em confrontos com as forças policiais que provocaram mais de 400 mortes, além de episódios de saques e destruição de infraestruturas públicas e estabelecimentos comerciais.
