Resolução Militar Não Será Suficiente para Acabar com o Terrorismo em Cabo Delgado, Alerta Reino Unido

A Alta Comissária do Reino Unido em Moçambique, Helen Lewis, defendeu que o conflito provocado pelo terrorismo de matriz islâmica na província de Cabo Delgado não chegará ao fim se o país depender exclusivamente de soluções de segurança e militares.

​O posicionamento da diplomata foi partilhado através de um comunicado durante a sua recente visita de trabalho a Pemba, a capital provincial de Cabo Delgado. Segundo Helen Lewis, é fundamental que o Governo moçambicano lidere uma resposta abrangente e integrada, focada em resolver as causas profundas do conflito para que se possa alcançar uma paz duradoura.

​”Reconhecemos que a mudança sustentável exige ir além da assistência humanitária e investir na governação responsável, no investimento e no envolvimento ativo do setor privado”, declarou a Alta Comissária.

​A diplomata sublinhou ainda a visão britânica para a região: “Queremos que Cabo Delgado se torne um local onde o investimento flua, onde as empresas operem de forma responsável e onde as comunidades beneficiem do crescimento”. Nesse sentido, o Reino Unido encontra-se a colaborar diretamente com o tecido empresarial, implementando diretrizes como os Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos.

​O Balanço de uma Crise Humanitária Severa

​A violência extremista, que assola o norte de Moçambique desde 2017, já deixou um rasto de profunda destruição. Os números oficiais ilustram a gravidade da situação:

  • Vítimas e Deslocados: Pelo menos 6.200 pessoas perderam a vida. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a fugir das suas casas desde o início dos ataques.
  • População Afetada: Atualmente, a crise humanitária continua severa, afetando mais de dois milhões de pessoas que necessitam de assistência urgente.
  • Regressos em 2024: Apesar de cerca de 500 mil pessoas terem regressado às suas zonas de origem ao longo do ano passado, a larga maioria continua dependente de apoio humanitário, consequência da destruição generalizada de casas, terras agrícolas e serviços essenciais.

​Apoio Contínuo do Reino Unido

​Para mitigar os impactos da guerra, o Governo britânico tem-se assumido como um parceiro humanitário constante no norte do país, canalizando a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, maioritariamente, através das Nações Unidas e de Organizações Não Governamentais (ONG) locais e internacionais.

​Desde o ano de 2022, o investimento britânico ultrapassou os 20 milhões de libras (cerca de 26,9 milhões de dólares americanos, ao câmbio atual). Estes fundos têm permitido apoiar anualmente mais de 150 mil vítimas do conflito, garantindo-lhes acesso a alimentação, água, abrigo, cuidados básicos de saúde e proteção jurídica.

​Adicionalmente, em agosto do ano passado, uma injeção de 4 milhões de dólares proveniente do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU garantiu ajuda imediata aos grupos mais vulneráveis, cobrindo áreas vitais como alimentação, proteção, água, saneamento e higiene (WASH).

(Com base em informações da AIM News)

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