ANAMOLA lança Fundação Elvino Dias em memória do advogado assassinado

Maputo, 20 de Agosto de 2025 – O partido Aliança para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) anunciou a criação da Fundação Elvino Dias, em memória do advogado assassinado em outubro de 2024, em Maputo. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira pelo porta-voz do partido, Dinis Tivane, no encerramento da I Sessão Extraordinária da Comissão Executiva, realizada na capital do país.

Além da fundação, foi igualmente confirmada a criação da Associação ANAMOLA, duas estruturas que serão oficializadas em setembro, durante a realização do Conselho Nacional.

“Prestamos homenagem a quem afirmou que continuaríamos a lutar até ao fim. Elvino Dias deu a vida, sacrificou a sua família e tombou por nós. É justo que o homenageemos em nome das mais de 500 pessoas que perderam a vida pelo movimento ANAMOLA, em defesa de um Estado de Direito Democrático”, declarou Tivane.

Assassinato ainda sem respostas

Elvino Dias, que atuava como mandatário de Venâncio Mondlane, foi morto a tiro na noite de 18 de outubro de 2024, juntamente com Paulo Guambe, representante do partido PODEMOS, que apoiava a candidatura presidencial de Mondlane.

Dias destacou-se pela sua participação ativa nas batalhas jurídicas do ex-candidato presidencial, especialmente na defesa da realização do VII Congresso da Renamo. O assassinato ocorreu poucos dias antes da divulgação dos resultados das eleições gerais de 2024, numa altura em que o advogado preparava documentação para contestar a alegada fraude eleitoral que deu vitória a Daniel Chapo e à Frelimo.

Apesar da condenação internacional e das promessas de esclarecimento feitas pelas autoridades, passados dez meses o caso continua sem respostas. Os responsáveis pelo crime permanecem desconhecidos, situação que remete a outros assassinatos de figuras críticas ao regime, como o do constitucionalista Gilles Cistac.

Reconhecimento póstumo

Mesmo após a sua morte, Elvino Dias tem recebido diversas homenagens. Em maio de 2025, foi distinguido com o Prémio Nelson Mandela, no valor de 10 mil euros, atribuído pela associação portuguesa ProPública – Direito e Cidadania. Já em julho, foi galardoado com o Guardian of Justice Award, promovido pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos.

Fonte: A Carta de Moçambique

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