O Governo de Moçambique reconheceu que a suspensão do financiamento da agência norte-americana USAID, incluindo os projetos em andamento no país, representou “um choque externo significativo”, afetando áreas como saúde, agricultura e emprego, chegando a ameaçar a continuidade de serviços básicos.
De acordo com a RTP, com base em documento sobre a execução orçamental do primeiro semestre consultado pela Lusa, o Executivo admitiu que a interrupção dos financiamentos, ocorrida em janeiro, e o encerramento da USAID obrigaram o governo a “redirecionar recursos internos para evitar o colapso dos serviços essenciais”.
O relatório do Ministério das Finanças afirma que, diante dessa situação, o Governo adotou medidas para garantir a sustentabilidade dos serviços essenciais e impulsionar a economia nacional. Entre essas ações estão: “reorientação da despesa pública, mobilização de recursos internos, apoio à produção nacional, fortalecimento da proteção social e aumento da eficiência na gestão orçamental, mitigando os impactos negativos da suspensão da ajuda externa e promovendo resiliência econômica e social”.
A agência de classificação financeira Fitch também indicou que a interrupção do apoio da USAID impactou a disponibilidade de moeda estrangeira no país, com efeito equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Em nota divulgada em 4 de agosto, a Fitch destacou que a escassez de divisas se agravou em 2025, parcialmente devido à redução de desembolsos externos e à suspensão da USAID, que havia transferido 586 milhões de dólares (aproximadamente 505 milhões de euros) a Moçambique em 2024, principalmente em projetos de saúde e educação.
O encerramento definitivo da USAID, agência criada em 1961 para prestar assistência humanitária internacional, foi anunciado em 1 de julho, após a suspensão das atividades no início de 2025 pelo governo dos Estados Unidos, então liderado por Donald Trump. Moçambique era um dos países mais beneficiados pelo financiamento, especialmente na área da saúde.
Dados oficiais de julho apontam que cerca de 2.500 empregos foram perdidos em Moçambique em consequência do corte da ajuda norte-americana. A ministra do Trabalho, Género e Ação Social, Ivete Alane, admitiu que se trata de “um problema” para a economia, acrescentando que o número foi apontado por um grupo formado por organizações beneficiárias do financiamento, mas ainda não existe uma estimativa oficial consolidada.
