As Nações Unidas revelaram esta quarta-feira (20) a existência de denúncias de exploração e abuso sexual envolvendo alguns dos seus colaboradores durante ações de ajuda humanitária em Moçambique, sobretudo em comunidades em situação de vulnerabilidade.
De acordo com o subsecretário-geral da ONU e coordenador para a melhoria da resposta sobre abuso e exploração sexual, Christian Saunders, a maioria dos profissionais que integram ou trabalham em parceria com a organização atua com dedicação e profissionalismo. Contudo, “há casos isolados de pessoas que se aproveitam da fragilidade das comunidades para praticar abusos”.
O responsável falava em Maputo após reunir-se com a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso. Saunders frisou que é fundamental que, ao prestar apoio, “os colaboradores não causem danos”, sublinhando a importância de garantir justiça e assistência às vítimas.
“Quando esses atos acontecem, temos de apoiar as vítimas, assegurar que os seus direitos são respeitados e que recebem a ajuda de que necessitam. É igualmente essencial responsabilizar os autores destes comportamentos”, declarou.
O representante acrescentou que a ONU pretende partilhar experiências com Moçambique no combate a abusos e violência sexual, além de fortalecer programas de apoio ligados à saúde.
Saunders destacou ainda que a ausência de leis robustas e a falta de independência económica das mulheres contribuem para a vulnerabilidade diante da violência. “É preciso dar às mulheres o seu lugar de direito na sociedade, criar mecanismos de proteção mais fortes e enfrentar estruturas patriarcais que perpetuam estes crimes”, reforçou.
A ONU apela para maior determinação coletiva no combate aos abusos sexuais e pede que casos já identificados não permaneçam em silêncio.
