O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, reconheceu esta quarta-feira (20) que os hospitais do país enfrentam um problema sério de furtos de medicamentos, situação que tem comprometido o abastecimento regular nas unidades sanitárias.
“Rouba-se muito medicamento nos hospitais. Em menos de 15 dias, após a distribuição, já desaparece tudo”, afirmou o governante durante um encontro com profissionais de enfermagem em Maputo, pedindo colaboração das comunidades no combate ao problema.
Segundo Isse, o Estado tem adquirido medicamentos em quantidades suficientes para responder às necessidades, mas os desvios constantes criam défices graves. Desde o início do ano, pelo menos 15 funcionários foram expulsos do aparelho do Estado por envolvimento nestes esquemas, sobretudo nas províncias de Manica, Tete, Niassa e Zambézia.
Para travar a prática, o Ministério da Saúde introduziu um sistema de denúncias contra a venda ilícita de fármacos do Sistema Nacional fora das unidades oficiais.
O Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou no final de julho a implementação de um sistema tecnológico de rastreamento de medicamentos, desde a produção até à distribuição final, através de selos de controlo. O objetivo é garantir maior transparência e reforçar o que o Governo chama de “soberania sanitária”, reduzindo a dependência externa e assegurando a disponibilidade de produtos mesmo em períodos de crise.
