Os trabalhadores da Rádio Moçambique (RM) voltam a manifestar frustração diante da falta de respostas sobre o processo de promoções e enquadramentos, uma promessa feita em 2024 e que, até agora, permanece sem solução. A insatisfação cresce e há fortes sinais de que uma greve geral poderá paralisar a emissora nos próximos dias, pondo em risco até mesmo as celebrações dos 50 anos da estação pública.
Segundo fontes sindicais ouvidas sob anonimato, os funcionários sentem-se “enganados” pela administração da RM, pelo IGEPE e até pelo próprio governo, que teriam usado promessas de enquadramentos para assegurar a cobertura das eleições gerais. Passado um ano, nada avançou.
A intervenção da diretora do Gabinfo, Emília Moiane, chegou a trazer esperança e adiou uma paralisação anterior. No entanto, o silêncio prolongado sobre o assunto reacendeu a revolta. “Continuamos traídos pelo Conselho de Administração, em conluio com o IGEPE e o Gabinfo. Desta vez, se avançarmos para a greve, ninguém nos vai travar”, disse uma fonte sindical.
Os trabalhadores afirmam que reuniões chegaram a ser realizadas entre a administração da RM, representantes sindicais e equipas do IGEPE e Gabinfo. Uma proposta para resolver o impasse teria sido enviada ao gabinete da primeira-ministra, considerando as condições financeiras da empresa. Contudo, até agora, não houve qualquer resposta oficial.
A Rádio Moçambique atravessa ainda um período turbulento, manchado por denúncias de má gestão e desvio de fundos. Recentemente, veio a público um caso envolvendo cerca de oito milhões de meticais, supostamente desviados por altos quadros da instituição, incluindo o presidente do Conselho de Administração, a administradora financeira e outros dirigentes. O processo já teria chegado ao Tribunal Administrativo e à Procuradoria-Geral da República.
Entre descontentamento laboral e escândalos de corrupção, cresce a incerteza: a mais antiga emissora do país poderá ver suas celebrações do cinquentenário marcadas por protestos e paralisações internas.
